quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Fé No Que Virá








Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol  brilhar no céu do teu olhar
Fé na  vida , fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será. (Gonzaguinha) 

     
São muitas as definições de Fé, as quais brotam das mais diversas experiências e emoções.
Precisamos, então, saber sobre qual Fé estamos falando. Respondo que é sobre a Fé resultante do crescimento da nossa espiritualidade, ampla, e vivida não só  na religiosidade.
Vejo,sinto, nesse caminho,posturas  de confiança,persistência,esperança,compreensão,alegria,força, acolhimento, resiliência,compromisso,empatia solidariedade... sem por isso, essas pessoas, adotarem comportamentos ingênuos,ou voltados a acreditar em poderes mágicos. Aqui quero falar sobre  uma Fé  voltada à ações construtivas e posturas de melhoria de relacionamento em relação a si, ao outro, ao Universo e ao Divino: Uma vivência, da espiritualidade, falada pelos que se encontram dando passos por esse caminho, com muita motivação e paciente perseverança.

Quando avançamos na vivência da espiritualidade, vamos ficando também mais ítntimos de nós mesmos, olhando de perto para nossas "verdades" e, mediante esse avançar, buscamos a renovação dos nossos sentimentos, nossas crenças, emoções, necessidade e desejos. Desta forma, esse sentimento de Fé, não torna-se um movimento cego, parado em significados construídos por influências de "fora", e sim  reflexões interiores que nos despertam um acreditar genuíno em uma Energia Maior que nos leva a querer a nos relacionar mais profundamente com o a vida.

A expansão da nossa Fé nos insere numa perspectiva maior do desenvolvimento dos valores, tais como: entrega, amorosidade, positividade, perdão...Assim sendo, melhoramos nossa conexão com o Universo, com o Transcendente, procurando, passo a passo, ir fazendo essa linda parceria entre o "terreno" e o Sagrado, em um trajeto que nos amplia e serena nosso sentido de vida .

Fé na vida, Fé no homem, Fé no que virá...

                         Lígia Oliveira- Terapeuta de casal- família- psicanalista



                                                                                              

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A Busca- O Encontro do Pai





O filme A Busca, conta a história de um casal em processo de separação, que  esquece o seus problemas conjugais, mediante o desaparecimento do único filho.

Esse filho, um adolescente de mais ou menos 15 anos,sentindo-se meio incompreendido pelos pais,( mais pelo pai) foge em busca do encontro do avô paterno, muito amado, todavia "persona não grata" pelo filho, pai do adolescente;

O filho empreende uma forma inusitada na procura desse avô, como o qual se identifica e alimenta uma correspondência secreta.
O adolescente escolhe como meio de transporte um cavalo ( adorava cavalos e a eles se unia nos seus desenhos solitários).

 A companhia do animal, trouxe uma maior visibilidade, sendo a dupla rapaz e cavalo, lembrada por algumas pessoas as quais o pai conversava pelo caminho nessa procura.

No início do filme percebemos na pessoa do pai, agressividade, intolerância, rigidez de idéias, vivenciados de forma exagerada com a mulher e o filho.

A descoberta do desaparecimento do filho, aos poucos vai trazendo ao pai sentimentos de afetividade, medo da perda, conhecimento de outros mundos e multiplicidade de formas de pensar, agir, compreender, avaliar  e seguir adiante. Ou seja, a experiência com o imprevisível, e a consciência da necessidade de olhar o mundo também do jeito do outro, foi fazendo surgir um outro pai, marido, pessoa, filho.

Em uma cena que o pai faz um parto (era ginecologista) num acampamento de jovens, e pacientemente, procura entender a vontade da gestante em  ganhar aquele filho na beira do rio. Percebe-se a linda associação do nascimento da criança, com o renascimento daquele homem que treinava  um ouvir mais compassivo, ao mesmo tempo que entendia a beleza do viver de forma inteira o momento presente, mais perto de si mesmo enquanto exercitava o ficar no lugar do outro.

O caminho percorrido trazia àquela pessoa, filho, pai, marido um enriquecimento de vida que talvez nenhuma outra estrada conseguisse.


 Penso agora eu.: quantos abandonos já não fomos protagonistas nas nossas famílias, como filhos e pais? Quantas conversas ficaram perdidas pelo meio do caminho, provocando mágoas e desencontros,  pelos quais hoje, não vemos muito sentido. Todavia, também me faz sorrir as lembranças dos momentos de aproximação e acolhimento nos quais participei de forma mais inteira e transparente.

                    Lígia Oliveira- Terapeuta de família e de casal



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Terapia de Casal e Família- Melhorando a Comunicação




O processo de Terapia de Casal e de Família pode contribuir, positivamente, para o aprendizado de uma comunicação mais plena.
Muitos casais e muitas famílias chegam ao consultório com as suas "caixas de ferramentas" trancadas.A comunicação está truncada e trincada, ou inexistente, ou  agressiva, ou baseada na ironia, na acusação, na indiferença..
 
O terapeuta trabalha mobilizando o desenvolvimento de conversas mais geradoras de reflexões, na clarificação das dificuldades, dentro do ritmo dos envolvidos, passo a passo, voltado à construção de uma dinâmica que amplie o olhar e  alternativas mais saudáveis .

À medida que os casais e familiares vão interagindo, percebemos, como aos poucos, vão  revisando seus pensamentos, sentimentos, falas, na busca da compreensão dos seus padrões comportamentais, revendo os comportamentos prejudiciais e aqueles que ajudam à relação.

Nesse caminho, observamos atitudes de acolhimento, não aceitação, fuga, negação, raiva, dúvidas, empatia. Esses sentimentos precisam ser olhados, falados, compartilhados, legitimados, valorizados compreendidos para depois serem transformados..

É importante que  o terapeuta trabalhe as condições de uma conversa mais aberta, sejam os assuntos mais leves ou mais pesados, pois para melhorarmos a comunicação, tornar-se necessário o treino das habilidades do saber ouvir, saber falar, saber calar, se motivar à abertura da compreensão das diferenças...

Na Terapia Familiar e de Casal não precisamos somente falar. Temos também  que desenvolver a vontade de compreender o que o outro está falando, para evitar o entendimento inadequado da fala do outro e interpretações distorcidas, como ainda não querer reforçar na comunicação, apenas os argumentos que nos faça  o "vencedor", que contribui para ficar na mania viciada da busca de quem "estar com a razão".

O terapeuta caminha junto com os clientes, mediante acolhimento,  fazendo intervenções, umas mais diretivas, outras mais reflexivas, na conscientização que a ativação e a repetição de comportamentos disfuncionais, trará a todos a alimentação de um ciclo de  comportamental negativo.

A melhoria da comunicação familiar e conjugal passa, necessariamente, pelo desenvolvimento de ações que favorecem um ambiente mais oxigenado, da construção das alternativas de soluções possíveis, mediante a união de forças, e o olhar voltado às reais possibilidade e limites familiares  e do casal.

Para complementar esse texto leia ainda: A Primeira Entrevista- postagem de janeiro de 2014

                                              http://terapiacasalefamilia.blospot.com


                                  Ligia Oliveira- Terapeuta de Casal e família.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Nossas Bagagens


                                    

  
                       UM NATAL E UM ANO NOVO FELIZES.

Final de ano. Olho para 2013. Vejo, nesse momento, bem presente muitas lembranças. Penso, duvido, acredito,em algumas aprendizagens. Todavia, antes de qualquer coisa, sinto a vontade de trazer mais vida à minha vida.

Venho, ultimamente, focada à compreensão da essência humana. Por mais que se fale ao contrário, vejo um movimento gradual das pessoas, à motivação do investimento na vida "não correndo apenas pela superfície" ( Lya Luft), sem por isso, aos que estão nessa caminhada colocarem sentimento de peso nessa busca.

Como aprendiz, observo que nessa jornada seja importante algumas paradas, quem sabe até uma meia volta  volver, para redefinirmos nossos desejos, meios e condições, ouvindo nossas vozes internas, em muitos momentos abafadas, indiferenciadas e quem sabe, ou não sabe,negligenciadas.
Alguns podem pensar: Para que complicar? Sei lá...

Aos que querem seguir nesse olhar interno, passos precisam acontecer através do exercício de querer combinar reflexão  e ação, revendo as emoções que são pessoais e as  dos outros, sem perder de vista as reciprocidades dessa grande roda que o  é relacionamento humano.

Penso ser preciso parar, ousar, seguindo com a ampliação desses encontros que alargam a possibilidade da vida ser entendida com mais inteireza e plenitude.
Aos poucos, nesses passos, vamos diferenciado as ações construtivas daquelas que nos trancam em casulos de "certezas" e "razões" as quais param a vida dentro de um quadrado sem portas. Afinal, sabemos ser nossa vida uma dinâmica mistura de luz e sombra, medo e coragem, amor e ódio...

Muito bom viver a luz.  E o lado da sombra?

Quantas são as vezes que negamos o lado sombrio da nossa vidas, não o acolhemos, o "terceirizamos"e por esses motivos ficamos reféns de sentimentos desconfortáveis e estéreis.

Ok, quem nunca passou para esse lado? Somos humanos. Em alguns casos pode ser compreensível esses escapes. Desde que não nos amplie a cegueira de caminhos mais felizes.

Olhar nossa essência e aprofundar o sentir, como seguir vislumbrando os seus dois lados, nos reconecta com nós mesmos, com nossos relacionamentos, com o Transcendente, com o Universo.

E  vamos em frente investindo na ampliação das nossas possibilidades e decisões, revendo quais as bagagens com as quais queremos seguir e àquelas que necessitam ser descarregadas.
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                                            Lígia Oliveira - Terapeuta de Família e Casl

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O Contínuo "Abraço" da Mágoa- Terapia de Casal




       O Contínuo Abraço da Mágoa

Atendimento a um casal em conflito: A conversa seguia na busca dos principais motivos que os levara à Terapia de Casal. Dentre as mùltiplas razões, uma razão menos falada com palavras, mas compreendida mediante olhares, gestos e expressões faciais se sobressaía:  a mágoa. "Ela" estava ali presente como uma ponte que os levava, cada vez mais, ao distanciamento afetivo.

O momento era repleto de olhares quase só voltados ao outro, muito mais "naquilo" que o outro tinha de "pior".

Falar acerca do outro na sua "dimensão menor", trazia ao casal um sentimento de revolta, ou seria de desvalia, ressentimento? Não saberia bem definir, pois por mais que nós terapeutas nos aprofundemos na experiência do outro, esse esforço não nos aproxima tão intensamente, das suas dores.Tive a compreensão que a dor"falada" parecia  menor do que a experiência sofrida.
Percebia os dois sozinhos, cada um com a sua visão, razão, sem motivação ao exercío da busca da aproximação da dor do outro.

Refletimos juntos que a continuidade daquele caminho pelo casal poderia trazer como consequência a "instalação" de alguns outros monstros como  a mágoa ressentida, vingativa e essa quando alimentada, investe em conversas que nos aprisionam, trazendo um clima interior de guerra silenciosa, onde é necessário ver  que o primeiro a ser morto é a gente mesmo.

Como terapeutas precisamos acolher, explorar, compreender e ressignificar junto aos clientes suas conversas destrutivas, como ainda  fazer nascer e ampliar as construtivas.

Leva tempo, requer abertura, idas e vindas, escuta compassiva da dor vista, falada, vivida e revivida.
Essencial entendermos como as mágoas cresceram nesses contextos de falta, revoltas, ressentimentos,e, outros "amigos" que se instalam como "companheiros de viagem".
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Para onde o casal quer olhar?
 
Se a escolha for investir em  percurso do entendimento recíproco, e, quem sabe do perdão, o caminho tenderá a ser reestruturado com passos mais verdadeiros e ao mesmo tempo mais afetivos.
 
Todavia, se o casal resolver dar as costas às possibilidades de melhoria afetiva, então teremos como consequência estradas com mais desamor.

Até quando e para que preciso ficar presa a essa minha necessidade de sofrimento, fazendo minha minha alma viver refém da lamentação?


                      Lígia Oliveira- Terapeuta de casal e família.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Conjugalidade e Sexualidade






O dia a dia tão cheio de afazeres e tensões, pode ocasionar a falta de um olhar mais atencioso à relação conjugal, ao parceiro, dando chance à criação de lacunas afetivas, emocionais, pessoais, sociais ... na vida a dois.

Focando na conjugalidade, a sexualidade, observamos, que para o casal caminhar numa vivência amorosamente recíproca, torna-se fundamental o investimento dos cônjuges na abertura e manutenção de um espaço, reservando momentos para o enriquecimento do relacionamento afetivo.

É fundamental salientar  o  cuidado para com as expectativas muito romanceadas, idealizadas. Aceitar as próprias limitações e as do parceiro favorecerá um caminho de realizações possíveis e consequentemente a melhoria do clima conjugal.

Aprender com seu corpo e com o corpo do  outro, vivenciar o que esse contato físico pode oferecer aos dois, por vezes gratificar o parceiro, fantasiar conjuntamente, experenciar a entrega e também a doação, são temperos que contribuirão para uma vida afetiva mais plena .

No tocante à comunicação verbal e emocional, falar com o outro e não só para o outro, querer ouvir e ser ouvido, compartilhar necessidades, desejos e projetos de vida, exercitar o bom humor, ou em alguma ocasiões compreender o mal humor do outro e o seu, entender que existirá dias em que precisamos silenciar   e que temos limites, respeitarmos  momentos de individualidade, são algumas das chaves à criação de alternativas de solução às dificuldade que surgirão.

Reforço como essencial e correlato ao trabalho corporal, que os cônjuges exercitem juntos a compreensão dos conflitos emocionais que estão "escondidos"sob comportamentos conscientes e inconscientes de desmotivação afetivo -sexual.

 "Quando a boca cala o corpo adoece"( corpo na dimensão ampla : física , emocional , psicológica...).
 
  Para o casal:

     Estou investindo na criação de um espaço para a vida afetiva emocional e sexual do casal?
 
    Quais sentimentos meus e do meu parceiro, escondidos, podem contribuir para as
    dificuldades na vida íntima do casal ?
 

                                                                 Lígia Oliveira - terapeuta de casal e familiar

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Nossa Fala: Conteúdo e Forma




Nossa Fala: Conteúdo e Forma
 

 Dia de terça feira.Manhã e tarde voltados ao atendimento de casais e famílias.

Em alguns clientes sinto uma energia de motivação que nos traz( a nós, terapeutas) um sentido de esperança do continuar da ação na busca por relacionamentos mais plenos e quem sabe, com frutos tendo maiores chances de gerarem férteis sementes.

Paro e fico pensando nas falas e gestos dos "meus casais e minhas famílias". Lembro daqueles  que se encaminham, passo a passo, no aprendizado do desenvolvimento da habilidade do falar e do ouvir construtivamente. Recordo cada esforço, deles, no sentido do cuidado com suas falas( às vezes conseguindo, outras não) para não mais magoar sensibilidades tão feridas. Presencio, ( me emociono) uma dança, que agora, tem um olhar mais voltado tanto ao conteúdo como com a forma, daquilo que, juntos, querem descortinar.

Observo nesses momentos a importância da intencionalidade básica no entendimento conjunto não só da força das palavras, mas também da atenção do poder à forma como elas  são proferidas.

Em alguns momentos, junto com eles, oriento  o esforço  para falarem mais baixo,ou disciplinarem o constante interromper, ou transformarem palavras mais duras e agressivas em movimentos mais suaves, nem por isso  menos verdadeiros. Observo ainda o cuidado desses casais e famílias à procura de palavras que traduzam seus sentimentos no aprendizado do não reforço ao olhar de acusação do dedo apontado ao outro...

Sinto e fico refletindo como aquelas pessoas, mediante esse caminho, estão trabalhando no fortalecimento do nós, e aprendendo que atitudes hostis não favorecem o amor, mas o afasta.

Vejo também nesse percurso, esses clientes procurando aprender o tom da moderação, que não viaja na acomodação, ou no faz de conta. Ao contrário, percebo neles uma vontade genuína de continuarem nessa "viagem" trabalhando condições à facilitação da harmonização de uma comunicação mais respeitosa, verdadeira e positiva.

                                       Lígia Oliveira- Terapeuta de família e casal