sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Espaço Para a Ternura








Antes de começar a escrever pensei que o título poderia parecer piegas, para alguns, nos dias de hoje.
Depois refleti sobre o que essa insegurança estava a dizer sobre  mim. Percebi, então que a linguagem da emoção é prioritária no meu sentimento, e é através dela, que muitas vezes, me encontro comigo mesma e com pessoas queridas, através da minha memória emocional, tão significativa no meu viver.
Sinto que quando abro espaço para a ternura, deixo meus afetos se expressarem por fios coloridos e serenos. Relembro momentos ternos presentes no olhar de uma mãe ao filho, no carinho da pessoa amada, na face da pessoa querida, na mãe que cobre o filho antes de dormir, na avó que cuida do seu neto, com o qual volta a sentir a ternura, talvez, já não tão presente na sua vida, no filho que reensina o aprendizado aos pais já idosos, no casal já velhinho que passeia de mãos dadas, no olhar de aconchego e o doce colo do dono ao seu cachorro ...
Como voce relembra seus momentos de ternura? Em que proporção eles adoçaram a sua vida e a vida do outro? Que cores voce daria a essas vivências? Como, hoje, voce "deixa" essa emoção ser presente na sua vida? A quem dava? De quem recebia? E hoje, como responderia a essas indagações?
Olho para minha história e degusto meus momentos ternos. Ah, foram e ainda são frequentes, valiosos e aparecem nas minhas lembranças como pingos de luz coloridos, os quais me trazem um suave sorriso nos lábios e serenidade na alma.
A ternura, em  essência, nos desarma e nos transporta a uma energia amorosa de doçura, gratidão com gosto de "quero mais".
O cultivo da ternura, tanto na sua motivação interna quanto na externa, fortifica os relacionamentos,  torna o amor mais visível e concreto, e, faz nossa "programação emocional" ficar mais mansa.
Gestos, olhares, palavras, carinho, linguagem que aproxima, que traz boas sementes para essa "tarefa" tão repleta de significados que é a vida. 
A vivência da ternura amplia nossa capacidade de amar, não só de se sentir amado, não só de pedir, mas também de querer dar, de se entregar  e de retribuir, essa vibração compartilhada de bons fluídos que  vem junto com um sentimento íntimo e  doce que nos faz crescer em sensibilidade e amor.
Como voce percebe e vive hoje a ternura na sua vida?

    Lígia Oliveira - Terapeuta de casal e família

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Sagrado em Nós


   


Anselm Grün  em seu livro, Não Esqueça o Melhor, fala que a auto-observação, por si só, já e´uma oração. Reflete o autor que essa parada interior funciona como um ato de nos despir dos nossos medos, anseios, desejos, culpas, arrependimentos...Quando essa busca é verdadeira não enveredamos pelas estradas da fuga de nós mesmos.

Bom, também, nesse percurso quando vamos desnudando-nos  dos nossos sentimentos e ações permitindo a retirada de nossas máscaras, todavia, nos motivando mais para ouvir as vozes do nosso anjo de Luz que nos impulsiona para  lugares mais férteis de inteireza, esperança e autenticidade.

Quanta coisa poderá ser jogada fora, reciclada, transformada, aceita, uma vez que a nossa conversa com o Sagrado, em nós, nos alarga as inclinações do nosso coração à reconciliações com as nossas almas.

Nesse instantes  de silêncio e de tantas falas interiores vamos valorizando as histórias que nos   levaram à  construções felizes, contudo, encontramos também muitas recordações guardadas,as quais trouxeram marcas de sofrimento a nós e à pessoas queridas.

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Então, nesse momento reavaliemos acerca desses "guardados", a  nossa participação nessas vivências,e nos motivemos, devagar, contudo, continuamente, ao desafio de ressignificar os nossos diversos tempos, passado, presente e futuro em busca do entendimento de saber como queremos seguir daqui por diante com a gente mesmo, com o nosso próximo e com esse mundo  de meu Deus que nos acolhe e nos e  faz seguir adiante..

Nosso diálogo emocional e espiritual segue podendo olhar de frente  fracassos, mal feitos, descobertas da incompletude dos nossos mais diversos eus, todavia nos faz entender,( não justificar) as  implicações  de sermos frágeis, humanos, limitados...

Em algum lugar, agora, dentro de nós surge uma vontade mais forte( o sagrado) de junto com nossas fraquezas visualizar nossas forças e aos poucos, e sem exigências extremas ir harmonizando essas duas presenças no nosso viver.

                                 LígIa Oliveira- Terapeuta de família, casal e psicanalista

terça-feira, 15 de setembro de 2015

COMENTÁRIOS DOS LEITORES


   Texto do blog,21 de setembro, 2011-Sermos autores de nós mesmos
 
 


Avalio que precisemos vivenciar, mais atentamente, o exercício de observar a vida e nosso jeito de reagir a ela, "não apenas correndo pela superfície," como fala Lya Luft, em seu Perdas e Ganhos, 2003. E continua a autora: "Não somos só nossas circunstâncias, somos também nossa essência. É preciso ler, refletir, observar o dentro e o fora".


Quando estamos em dificuldades, podemos ficar tristes, pessimistas, frustrados, medrosos, corajosos... Todavia, se quisermos  ir à busca de uma maturidade feliz, procuremos redefinir os nossos limites e possibilidades, modificar nosso olhar,conversar com nossos defeitos, acolher nossas sombras, sorrir para nossa motivação e celebrar nossos tesouros, compreendendo que é essa mistura de sentimentos e comportamentos que vai criando a essência da nossa vida.


COMENTÁRIO DE MÍRCIA DANTAS ENVIADO PARA O MEU EMAIL:
Concordo com voce. Somos autores de nós mesmos. Quando iniciamos a jornada de olharmos para dentro de nós, percebemos que certos pensamentos, conhecimentos e verdades, não fazem o mesmo sentido que antes. Todos os nossos paradigmas são modificados por outros que nos levam a pensar: "Será que estou doida"?"Será que sou diferente"? Sentimos-nos alegres, engraçados, lindos, maravilhosos e tudo mais. E nos tornamos mais leves e em paz. Eita caminhada difícil...




Mírcia, que bom ler o seu comentário!


Legal ir por um caminho repleto de sentimentos iluminados: " nos sentimos alegres, lindos, maravilhosos". Vamos andando e de vez em quando nos permitir parar, descansar e começar tudo de novo.
Abraço carinhoso, Lígia

terça-feira, 18 de agosto de 2015

PSICANÁLISE- ACTING-OUT


                 


                                            O PROCESSO ANALÍTICO--O ACTING-OUT

  O processo analítico é vivenciado mediante a interação do analista com o analisando através da linguagem falada, narrativas,linguagem corporal,  expressões,  gestos, atos...


A inter-relação desses fatores vai, ao longo do tratamento, reunindo condições à uma ampla  leitura do paciente que passa a se perceber, aos poucos, como o sujeito das suas histórias,através do reconhecimento, interpretação e elaboração dos seus sentimentos, pensamentos comportamentos  e das suas ações.


O Acting Out representa uma forma de comunicação do paciente, que pela falta de "capacidade" de se fazer compreender pela linguagem falada utiliza o ato em vez da palavra.


Esse comportamento do analisando acontece, na maioria das situações, de forma impulsiva, e caracteriza-se por ser uma repetição de padrões e vivências infantis, que ao invés de serem recordadas pela fala, são repetidas através de atos.


Em seu trabalho" Recordar, Repetir e Elaborar" Freud explica  que em situações nas quais o paciente não recorda lembranças, as quais foram esquecidas e recalcadas, poderá manifestar esse conteúdo inconsciente como uma ação que repete inúmeras vezes sem se dá conta. Assim sendo, o analisando traz ao tratamento uma gama de ações repetitivas, às quais está preso, em função  de ser naquele momento, a sua possível maneira de recordar.


Podemos entender o acting out como repetições de experiências recalcadas do passado, as quais não encontrando representação verbal, como também não tendo força para conter a pulsão da sua manifestação, descarrega, tardiamente, mediante atos, impulsos reprimidos tais como  medos, culpas, raivas, atitudes inúteis, traços patológicos... do período da infância. Esses então são experienciados, no presente, onde são reeditados e atualizados.


O aparecimento do acting out, tanto na sessão, como fora dela, pode ser compreendido como uma resistência do analisando no decorrer do processo transferencial, do paciente com o analista. Desta forma podemos dizer que, o acting out é o resultado da vivência da neurose de transferência.


São entendidos como acting out alguns comportamentos dos pacientes tais como: faltas às sessões, frequentes atrasos, esquecimentos, silêncios, dificuldades em pagar as sessões...Padrões comportamentais que precisam ser ampla e cuidadosamente escutados, observados e trabalhados conjuntamente pelo par analítico.


A Psicanálise compreende essas atuações do analisando como uma representação da posição do analisando em relação ao seu gozo. Todavia, observa que o acting out reforça ao analista a necessidade de contextualizar essa ação do paciente como um pedido de interpretação que tem como direção o próprio analista.
 

Cabe ao psicanalista, diante da sua responsabilidade em relação ao manejo clínico transferencial observar e trabalhar atenciosamente,(profissional e paciente) adequando, reciprocamente,as pontuações,  dúvidas, interpretações,  silêncios e descobertas.

 No processo psicanalítico,  o profissional segue  no sabendo que  dirige o tratamento( não o  analisando) em um  caminho que  propicia a esse uma reconstrução gradativa dos seus conteúdos mentais, psicológicos e ações para um padrão de comportamento  mais saudável; facilita dessa forma, ao paciente, o surgimento da sua verdade dentro do conhecimento e da compreensão do seu desejo enquanto sujeito singular no contexto da sua historicidade.

Lígia Maria Bezerra de Oliveira- terapeuta de casal,família e psicanalista.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Viver Com a Gente Mesmo







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Que tal começarmos aqui uma viajada interior? Quais seriam os meios de transportes mais adequados para esse percurso?

Quem sabe não precisemos nos despir das nossas desculpas, defesas e das falas "deixa pra depois", para que complicar?

Esse olhar investigador, curioso,(não disse inquisitivo) nos auxilia na "luta" voltada à negociação com nossos medos, em relação ao enfrentamento dos nossos espaços bons, maus..

.Então, nesse movimento, percebemos que esses dois espaços, muitas vezes, se misturam  trazendo sentimentos ambivalentes e dúvidas, as quais nos propiciam angústia, todavia quando "emparelham" as conversas,  nos mobiliza ao crescimento.
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No início pode bater à nossa porta sentimentos de raiva,  mágoa, preguiça.Todavia, quando avançamos nessa conexão vamos nos permitindo uma liberdade mais consciente das nossas escolhas e decisões.

Aceitemos esse convite para essas múltiplas viagens, às vezes curtas, outras longas, umas mais repletas de atalhos, outras com alvos mais próximos.
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Nesse passeio  não existe pacote pronto. Precisamos ir tateando nas nossas dúvidas, conceitos e nos indagar acerca das estradas que nos encantam,  nos fazem vivenciar momentos fascinantes, outros de sofrimento, ou que trazem alegrias e também a aceitação do que não está sob o nosso controle, ou seria responsabilidade?

Avalio ser  essencial que fiquemos atentos às ações que nos ajudam a cruzar as pontes e a chegar em cada estação, mesmo, muitas vezes parando no meio do caminho.

Bom quando esses caminhos, facilitam o acesso aos nossos geradores de energia que ampliam o olhar às oportunidades diante das dúvidas, subidas e descidas, ricas experiências que nos habilitam à aprendizagem de alimentar em nós um sentimento de fé.

E aí, por onde voce quer começar?


                            Lígia Oliveira- Terapeuta de casal, família e psicanalista.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Terapia de Casal- Vida Financeira


( Texto trabalhado em sessões de terapia de casal.)

Como anda seu relacionamento financeiro com o seu par e no casamento?

Na grande maioria das vezes, a forma de lidar com o dinheiro tem como base o aprendizado familiar.
No casamento a administração financeira, em grande parcela dos clientes, aparece como um fator de estresse, em função dos pontos de vistas acerca do dinheiro serem divergentes e até, em alguns casos, polarizados.

Falar em dinheiro, orçamento familiar, "juntar as receitas", "dividir os gastos"... certamente para muitos casais não é conversa explícita, bem trabalhada. Quando esses assuntos não estão bem resolvidos, concorrem à multiplicação de novas áreas dos conflitos conjugais.

A terapia de casal, mediante a explicação da importância de aprofundar o olhar ao relacionamento do par, reforça a necessidade da utilização do genograma financeiro( instrumental técnico) para uma melhor clarificação dos significados dos cônjuges em relação aos aspectos financeiros.

No genograma financeiro o terapeuta de casal elabora várias perguntas acerca da maneira pela qual os cônjuges desenvolveram sua administração econômica. A dinâmica procura ampliar essa vivência  em ciclos significativos da vida de cada um, situando passado, presente e futuro.

Através dos resultados do genograma, podemos, juntos, compreender de forma ampla sobre os conceitos e vivências de cada um,  como ainda trabalhar acordos de convivência possíveis, os quais irão proporcionar a melhoria do contexto conjugal como um todo.

As perguntas do genogramam financeiro são feitas primeiro a um, enquanto o outro apenas ouve. Depois de serem ouvidos os dois, trabalhamos na reflexão de como o casal quer e tem condições em construir seu acordo de convivência financeiro, visando uma vida conjugal mais equilibrada.

O terapeuta explica a importância de uma fala clara e de uma escuta ativa dos parceiros, na realização do genograma financeiro a seguir:

Exercício  sobre a vida financeira conjugal:

1- Como voce definiria o dinheiro na sua vida pessoal, conjugal, familiar,profissional e  social?

2- O que o dinheiro significava para a sua família de origem?

3- Como eram as conversas sobre dinheiro na sua família de origem?

4-O tema dinheiro trazia para voce sentimentos de: atrito, medo, raiva,silêncio, mágoa, ambição, aproximação, distanciamento... Outros.

5-Qual sua principal herança financeira familiar?  Gostaria de mudar algo?

6-Em uma ou duas palavras: O que significa o dinheiro na sua vida conjugal?

7- Qual a sua condição financeira hoje no casamento? E a do seu par?

8- Qual o nível de transparência da vida financeira do casal? Sua parte, e a do seu par?

9- Como é o processo de decisão do dinheiro no seu casamento?

10- Alguém se submete? Alguém domina?

11- Quando discordam financeiramente como resolvem? E quando concordam?

12- Como acontece a divisão do meu dinheiro,  do seu dinheiro e do nosso dinheiro?

13- Onde contribuo para uma vida financeira mais equilibrada? Onde não contribuo?

14- Qual o caminho principal ( possível) que o casal poderá construir para a melhoria da vida financeira conjugal?

15- Como voce vislumbra seu relacionamento daqui a um ano: continuando como está ou  fazendo as mudanças?

Após essa exploração do comportamento e historicidade de cada um, são observadas e trabalhados os principais pontos de diferença e concordância.

Essencial reforçar que o equilíbrio conjugal exige que os parceiros consigam se motivar em investir numa postura mais desarmada e conversas claras na construção de um estrutura financeira mais compartilhada e  ao mesmo tempo autônoma..

                     Lígia Oliveira - Terapeuta de família e casal

Obs- Base de leitura: Até que o dinheiro nos separe- A questão financeira nos relacionamentos/ Cleide
Guimarães, Sao Paulo, Saraiva, 2010.

Terapia Familiar na última Década, Rosa Macedo, São Paulo:Roca, 2008, Capítulo 46

terça-feira, 7 de julho de 2015

Terapia de casal com casais homoafetivos- Recife




Atualmente, observamos um movimento voltado a um percurso gradativo e crescente, todavia ainda lento, da compreensão da diversidade dos formatos de casamento, entre um desses os casais homoafetivos.
 
É fato que o homoafetivo solteiro como ainda os que  formam um casal, na sua maioria, empreende um esforço grandioso para serem reconhecidos na sua orientação sexual como ainda na sua  conjugalidade.
 
 A terapia de casal com pessoas homoafetivas, como com qualquer tipo de casal, procura conjuntamente, com o cônjuges trabalhar voltados à compreensão do relacionamento conjugal mediante os problemas sistêmicos que constituem a formação do casal tais como: vida afetiva individual e do par, profissional, familiar, social,  espiritual...no entendimento de como essas vivências poderão afetar positivamente ou negativamente  à relação a dois.
 
É essencial  que o olhar terapêutico  desenvolva a compreensão da necessidade do casal entender que um dos principais caminhos ao conhecimento e ao relacionamento conjugal é a atenção a forma como os cônjuges elaboram a interação da vida individual  com a vida do par e vice versa.
 
Alguns casais homoafetivos trazem como problema temas relacionados  à sua orientação sexual como a não aceitação dos seus familiares, e também, um dos cônjuges ter como postura o segredo da homoafetividade, vivendo por essa razão, o casal, um relacionamento repleto de limites.
 
No que se referee a não aceitação dos familiares, a terapeuta de casal, MacGoldrick no seu livro As mudanças do ciclo da vida familiar orienta:
 
"Onde a família ampliada é extremamente negativa em relação ao casal, seja qual for a razão, não encorajamos os casais a assumirem uma perspectiva mais ampla, não tentando transformar a aceitação do seu casamento num evento de sim e não, mas  ir trabalhando gradualmente ao longo do tempo para construir pontes que a família de aproxime"( McGoldrick,pag.195)
 
De maneira geral os casais homos apresentam dificuldades, como qualquer casal, voltadas a assuntos  que se referem à área financeira, infidelidade, vida íntima, ciúme, individualidade, comunicação disfuncional ao lidar com diferentes crenças, padrões de comportamento,  heranças e convívio familiar...
 
Como terapeutas de casal investimos na compreensão de  que o processo terapêutico não tem como objetivo a união ou a separação do casal.
 
O objetivo da terapia conjugal é facilitar aos cônjuges a leitura e o aprofundamento dos significados das suas feridas, limites, recursos e possibilidades.
 
Desta forma trabalhamos todos juntos para que o casal aprenda a percorrer caminhos, nos quais se sintam responsáveis pelas suas escolhas e decisões, sejam essas para seguirem separados ou de mãos dadas.
 
Lígia Oliveira- Terapeuta de casal, família e psicanalista.