quarta-feira, 27 de março de 2019

Reconhecer Nossos Erros



Penso que um dos principais valores do movimento ao reconhecimento dos nossos erros é o exercício do aprendizado voltado à confiança em nós mesmos. Ouvi certa vez que mentir para nós  nos empobrece. Reflito que também nos paralisa.

Winnicott, em um dos seus livros falou que a diferença entre mães boas e mães ruins não eram os erros cometidos, mas o que elas faziam com eles.

E nós o que estamos fazendo com os nossos erros? Os repetimos, os acolhemos, os negamos, os justificamos, os terceirizamos, os reconhecemos?

Parar e com atenção observarmos nossos atos nocivos, procurarmos explorar seus significados, contextos e necessidades ajudará na facilitação de uma visão mais inteira do nosso ser. É preciso que a intencionalidade dessa avaliação não responda à causas culposas, vitimizadas, mas dirija-se a alimentarmos sentimentos e ações com mais liberdade e inteireza.

Avalio que essa postura não é simplesmente uma forma de se comportar baseada em referênciais morais. Vai além. Peitar a vida de cabeça erguida e coração aberto é entender que a primeira porta a ser aberta é a de dentro, o que nos trará força na alma e serenidade no coração.

Quantas vezes  nós não queremos reconhecer nossos erros. Nos sentimos apontados, vulneráveis, perdedores. Pior se  o que impede é o orgulho, sentimento que quando alimentado cria um grande muro, desnecessário, entre as pessoas, e mescla a energia relacional de distanciamento, arrogância e teimosia.

Aqueles que ficam na negação e repetição dos erros não cooperam com a descoberta de importantes chaves que poderão abrir seus quartos escuros.

Mudemos nossas escolhas. Por onde podemos começar?



                       Lígia Oliveira- Terapeuta de Casal e Família

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Relacionamento Entre Irmãos- Laboratório Para a Vida







É fato que o primeiro laboratório de vida de todos nós é a nossa família. Nela vamos aos poucos, construindo a forma de ser e estar no mundo. Nos primeiros anos, o  modelo principal de relacionamento centra-se nos pais, os quais exercem o "monopólio"das nossas identificações. Mais adiante, de acordo com nossos sentimentos, pensamentos, ciclos de vida e  construção social do saber fazemos movimentos maiores ou menores em direção ao sentimento de pertencer e de se  afastar da nossa família de origem.
Falando sobre o relacionamento  entre irmãos percebemos a  presença dinâmica de sentimentos e ações de amor, companheirismo, ajuda, colaboração, ciúme, competição, rivalidade...Comuns em qualquer vivência fraterna.



Avaliamos que essas experiências são necessárias ao exercício do aprendizado voltados às nossas  perdas e ganhos, durante nossa vida, vez que nos ensinam a  olhar,  para a gente mesmo,  para o outro, para nossos limites e recursos de forma pessoal, grupal e contextual. Percebemos ainda como significativo essas experiências, pois elas facilitam a elaboração de sentimentos como raiva, medo, ciúme, competição, ajuda, e  a seguir no caminho da aproximação e ou da diferenciação familiar.
A chegada de um irmão ensina ao primogênito a aprendizagem em saber melhor  lidar  com a diminuição da atenção dos pais, mas, ao longo do tempo, permite o exercício conjunto das trocas, cooperação e complementação recíprocas. Essa dinâmica vai possibilitar a  cada irmão a definição de maneira mais clara, das suas semelhanças, diferenças e papéis individuais e familiares.



A disputa fraterna é um campo de aprendizagem porque também prepara os irmãos para conviver com  o mundo lá fora. Essas disputas  são saudávéis quando não  provocadoras de distanciamentos, inimizades e desarmonias constantes e ou  demorados.
A ordem do nascimento dos filhos é de fundamental valor em relação aos papéis que cada irmão irá  desempenhar na sua vida individual e familiar, como explica a citação  popular seguinte: "O mais velho abre portas e o caçula as fecha." Como já mencionamos, a fratria prepara para a vida e mediante  o desenvolvimeto da convivência entre os irmãos são exercitadas as seguintes funções: afetividade, experenciar perdas e ganhos, aprendizado dos papéis cognitivos, emocionais, psicológicos, sociais, colaboração nos papéis substituvos parentais...



É fundamental observar que o relacionamento fraterno é consequencia imediata do inventário comportamental dos  pais. Reforçamos ser prioritário que os pais, em linhas gerais, procurem falar a mesma linguagem nas horas das desisões, e, não demonstrem ambivalência, não repassem as decisões para os filhos quando se sentirem inseguros, cansados ou discordantes, como também tenham claros, conversados e acordados suas atitudes de responsabilidade, firmeza, limites e amorosidade.


            Lígia oliveira- Terapeuta de casal,  família e psicanalista.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019




Anéis de casamento de ouro quebrado — Fotografia de Stock


INFIDELIDADE  E TERAPIA CONJUGAL


- Os texto sobre o tema da Infidelidade teve como base de leitura o livro: As Múltiplas Faces da Infidelidade Conjugal, Luiz Carlos Prado,pág,69 a 96,Porto Alegre, 2012.
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David Baucon (2009), terapeuta de casal e pesquisador do tema Infidelidade, reforça a necessidade de compreensão aos clientes, quando em Terapia de Casal, trazendo como demanda a traição afetiva, que o processo terapêutico poderá acontecer dentro de um período mais amplo, vez que as diversas fases do tratamento precisam ser bem exploradas e compreendidas.
Segundo Baucon a terapia voltada à compreensão da infidelidade conjugal pode ser dividida em tres momentos:

 1- Fase na qual o casal precisa absorver o impacto da descoberta. 2- Fase onde se trabalha a elaboração da vivência traumática: Nesse ciclo o casal vai em busca de sentido para a infidelidade, estabelecendo novas responsabilidades e propósitos de vida. 3-  Fase  da vivência com o casal sobre o significado de levar a vida em frente, seja pela continuidade da vida conjugal, ou a separação.        
Observamos, tanto na teoria quanto na prática clínica, que a fase da descoberta, caracteriza-se por ser de uma crise intensa, na qual estão presentes sentimentos e comportamentos que se alternam como: mágoa, raiva, culpa, surpresa, medo, desejo de vingança...
As emoções são muito fortes como também ambivalentes. Ao mesmo tempo que se sente raiva, mágoa, pode vir o medo  da separação, da destruição do vínculo afetivo.
Torna-se difícil ao terapeuta caminhar buscando menos reatividade, defesas, vez que as visões dos cônjuges estão tumultuadas pela intensa carga afetivo- emocional, pela qual essa primeira fase está passando.
 Prado no seu livro As Múltiplas Faces da Infidelidade Conjugal (2012), diz o seguinte:
" Em um primeiro  momento o terapeuta deve funcionar como um bombeiro que precisa apagar um incêndio... Tirar  de perto as pessoas que não estão ajudando e trabalhar para apagar o fogo rapidamente".
É importante que o terapeuta fique atento e administre bem as sessões, entendendo que muitas delas poderão ser mais longas e frequentes, por se tratar de um período crítico.
Assim sendo, investe para que as conversas sejam objetivas e claras como por exemplo: se os parceiro poderão ficar ou não morando juntos, trabalhar para que o terceiro participante fique fora da relação afetiva enquanto o processo terapêutico acontecer, serem acordadas regras de convivência possíveis, objetivando a recriação do clima de confiança relacional..
Outro fator essencial nessa primeira fase é a compreensão do desenvolvimento de uma escuta e de um falar respeitoso, atuando o terapeuta nesse estágio, de forma mais diretiva, fazendo intervenções para que o casal saia do padrão de falas e atitudes destrutivas, da reatividade e defensividade.
Poderá haver a necessidade de encaminhamento dos cônjuges, ou de algum deles, para especialista, quando é avaliada a necessidade de estratégia medicamentosa.
Existem casos( menos comuns) nos quais o cônjuge infiel não opta por abandonar a terceira pessoa. Pouquíssimos são os casais que aceitam essa situação. O terapeuta precisa trabalhar com o parceiro infiel no sentido de que esse resolva a situação, em um tempo mais breve possível, pois a situação do segredo será danosa e poderá comprometer a confiança do processo...
Na grande maioria do processo terapêutico, essa primeira fase da terapia é permeada por ondas de descontrole, que exigem do profissional postura acolhedora, mas também mais firme, um olhar mais atento  para aprender a administrar  atitudes de agressividade, silêncios, revolta... Após a vivência dos momentos mais conflituosos, quando da descoberta da infidelidade, e, parte das emoções mais fortes terem sido exploradas, reconhecidas e compartilhadas, as ações terapêuticas caminham para um ciclo mais focado na elaboração da situação conjugal.
Nesse período, terapeuta e casal, procuram falar sobre o contexto conjugal antes da infidelidade acontecer, explorando os múltiplos fatores e suas interrelações, como ainda reavaliando a compreensão de cada um acerca da sua contribuição em relação à infidelidade.
É essencial o desenvolvimento de um olhar mais profundo ao clima relacional, mediante a compreensão de indicadores como conversa entre os parceiros, intimidade, proximidade afetiva, projetos comuns, vida individual, companheirismo, respeito...
É necessário a abordagem terapêutica levar os parceiros a ampliarem o entendimento  do sentido da infidelidade, mediante a compreensão  de que a mesma aconteceu na relação. Assim sendo, o  olhar  conjugal deverá entender que a infidelidade não é responsabilidade apenas do parceiro participante.
Dentro dessa ótica, o  companheiro magoado poderá estudar também seus momentos e atitudes que tenham contribuído ao afastamento conjugal

Em relação ao parceiro infiel, esse deverá falar com clareza acerca da sua participação, mediante avaliação das suas experiências, valores, heranças familiares, modelos relacionais.... Esse trajeto poderá trazer à tona, sentimentos e falas nunca antes revelados tais como: abusos, sentimentos de abandono, desvalia... os quais poderão auxiliar à leitura do quadro relacional.

"Quanto ao terceiro parceiro participante, é importante que o casal tenha uma atitude firme e decidida de procedimento e estabeleça limites claros em relação a ele, para manter o parceiro afastado... Quando se mostrar muito insistente pode ser que precise de atitudes mais drásticas como buscar medidas judiciais, exigir o afastamento, mudar de bairro..."( Prado, 2012)

Trabalhados os diversos aspectos da infidelidade, a terapia deverá se encaminhar para a fase do processo de escolha e decisão dos cônjuges: Se  a decisão é separar ou continuar o vínculo conjugal.
Caso a escolha recáia sobre continuarem juntos, deverão ser conversadas e acordadas as principais mudanças que irão beneficiar o contexto e vivência da vida a dois.

Sendo a decisão  voltada à separação, é função do terapeuta ajudar aos ex-cônjuges  na  compreensão de que também podem andar por esse caminho, de uma forma mais construtiva.

       Lígia Oliveira- Terapeuta de Casal, Família, Sexual  e Psicanalista.

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DESPEDIDA

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
 
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
 
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
 
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. 
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
 
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
 
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
 
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
 
e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível. 
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
 
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
 
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
 
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. 
É o arremate de uma história que terminou,
 
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
 
E só então a gente poderá amar, de novo.
Martha Medeiros

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Casal/ A Transformação da Paixão.




O livro Psicanálise  em Perguntas e Respostas do psicanalista  David Zimerman traz algumas reflexões sobre  o caminho da paixão numa relação afetiva mais duradoura.
Observa o artigo que quando olhamos para paixão precisamos entender acerca dos  vários enfoques e das diferentes modalidades de vivência.
 
No período da adolescência, e no despertar do primeiro anos, é comum que  surja uma paixão intensa e arrebatadora, sentimentos esses os quais podem ser repetidos em outros ciclos da vida.

A paixão quando é inicial tem o seu lado sadio e bonito, todavia  tem também o lado complicado, e traz, muitas vezes, experiências sofridas e doentias:

Para uma melhor compreensão transcrevo, abaixo,  parte da explicação acerca do assunto,registrada nas páginas 120 e 121 do livro acima citado:

" O lado bonito da paixão consiste em que a paixão fervorosa que brotou pelo outro possa vir se estruturar como o prelúdio de um amor saudável, e por que não, duradouro a vida inteira, embora com algumas transformações em relação à paixão inicial".

O lado complicado da paixão é quando esta deixa a pessoa apaixonada em um estado de "burrice" e de total cegueira, de modo que muitas besteiras, e até crimes são possíveis de acontecer durante o transe passional.

Outro possível aspecto negativo da paixão é o fato de que um dos seus maiores ingredientes- uma forte idealização do outro- pode durar pouco tempo porque não sobrevive diante das primeiras frustrações que abalam o ilusório e hiper valorizado mundo encantado de quem está excessivamente apaixonado e daí resultam decepções,inevitáveis atritos, e um progressivo desgaste do casal.

Tal como antes foi dito, o estado de paixão intenso, por mais lindo e sadio que seja vai sofrendo sucessivas transformações, ao longo do tempo, tanto de forma positiva como negativa. Na primeira hipótese, apesar de que a libido sexual persista, é bem provável que se modifique o ritmo da atividade genital; a paixão obsedante vai dando lugar a um"companheirismo" para os bons e os maus momentos da vida; se forma uma certa cumplicidade nos atos e fatos de ambos e se desenvolve  um maior respeito, tolerância e consideração pelas diferenças entre eles."
   
Olhando para voce, como percebe que na sua vida sua(s) paixão(ões) foram transformadas?

                         Lígia Oliveira- Terapeuta de casal, família e psicanalista.

terça-feira, 17 de julho de 2018

PAIS E FILHOS ADOTIVOS- PROCESSO AFETIVO

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 Pontos a serem trabalhados sobre o tema : Processo afetivo da adoção: pais e filhos adotivos.

      Toda criança aprende primeiro pelo exemplo, através da imitação.

   Desejos, dos pais e  motivos em relação à adoção .
   Momento da adoção:
   Pais biológicos: motivo da mãe biológica para a adoção, processo legal,
   chegada e aceitação do filho à família adotiva, aceitação da família extensa.
    
   Criança – filho adotivo:

   Saúde, física, emocional, psicológica, afetiva, mental.

   Família:

    Relacionamento conjugal , familiar , fraterno , social.
   
    Principais pontos  a serem trabalhados  em relação ao filho adotivo, aos pais e
    irmãos: comunicação,limites, aprendizagem intelectual,afetiva,social...
    Comportamentos mais comuns dos filhos e pais adotivos em relação ao senti-
    mento de rejeição na dinâmica familiar do filho adotivo segundo Schettini:

  A-    Rejeição da mãe biológica;

      Em algum momento o filho adotivo vai sentir-se rejeitado pela mãe bioló-
      gica. Só gradativamente, vai conseguindo ir trabalhando esse sentimento
      e aos poucos  e dá o peso real  ao mesmo.

      Algumas atitudes reativas em função do sentimento de rejeição do filho
      adotivo:

        Por se verem diferentes das outras crianças, podem ficar menos sociáveis;
       Outras querem agradar para serem aceitas. São as crianças que podem
       desenvolver comportamento muito bonzinho ou obediente. Tem medo
       de uma nova rejeição, estão sempre querendo agradar;
       Atitude contestadora, agressiva tendo alterações  nos seguintes
       pontos:alimentação, sono, aprendizagem, sociabilidade...
       Rejeição mais focada à mãe adotiva, pois essa, simbolicamente, pode
       representar a mãe biológica.

B- Medo do filho da rejeição dos pais adotivos:

“Rejeitado pelos pais biológicos, a criança sem ainda ter uma ideia clara dos motivos da ‘rejeição”, fica com receio de uma rejeição posterior. Enquanto não se instalar uma confiança confirmada pela convivência, a criança pode estar sempre esperando  uma segunda rejeição.Pode surgir a fantasia de não ter sido amada pelos pais biológicos que interfere na relação com os pais adotivos.

C- Medo dos pais adotivos de serem rejeitados pelos filhos:

Em alguns pais adotivos existe um sentimento de culpa através da fantasia   inconsciente de terem “roubado” o filho da mãe biológica.
Muitos pais adotivos não desenvolvem a firmeza e os limites necessários à educação saudável de uma criança, com receio de provocar reação de desagrado ao filho, que resulte em rejeição.
Medo de perder o filho também faz alguns pais adotivos a ampliar na superproteção e em um comportamento de dependência.
Importante observar que respeitando as características de cada idade, de forma amorosa e disciplinada, a criança se sentirá segura e acolhida, dentro de um relacionamento familiar saudável.




Esse texto teve como base de estudo leituras do livro :Compreendendo o filho adotivo de Luiz Schettini Filho.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Limites na Educação dos Filhos-Parte I






Atualmente muito se fala em limites, ou a falta deles. Estudiosos sobre a família, focando o olhar sobre a família, mais voltado ao segmento da classe média brasileira, observam filhos mais distantes  da convivência familiar em função da dinâmica cotidiana, isolados em seus computadores, em seus mundos virtuais, ou em pares no shopping, como também vivenciando uma ocupada agenda com aulas particulares, esportes, música, línguas... E os pais em busca de uma sobrevivência financeira com mais qualidade, cada dia mais distantes dos filhos, trabalhando com o objetivo voltado  à " melhoria" familiar.
"Para que possamos colocar limites nos nossos filhos, precisamos ter nossos próprios limites"( Maria José Gomes Amorim).
Uma das preocupações atuais, refere-se a inconsequência e a falta de preparo de muitos jovens se responsabilizarem diante da própria vida. Percebemos que os direitos dos filhos aumentaram em detrimento dos seus deveres. Os pais ficam confusos em estabelecer regras necessárias à uma educação saudável que seja baseada no respeito mútuo e na noção de hierarquia, tanto no seio familiar como na sociedade como um todo.
Estudando o indivíduo  a partir do seu nascimento, observamos que nos primeiros anos de vida ele é egocentrado, absoluto e com baixíssima tolerância à frustração.

" Inicialmente os limites são externos e o processo educativo eficiente favorece a internalização desses limites, mediante vários fatores interligados. São eles: Relação afetiva satisfatória, estabelecimento e seguimento de rotina adequada, aprendizado de valores éticos e morais, estabelecimento de hierarquia com os papéis definidos e funcionais, regras claras e coerentes, com o nível de frustração adequado"- Alcione e Marília Candelaro.

Com limites claros e bem colocados, ou seja falar o que se faz, dá o exemplo, os pais desenvolvem seus papéis de forma funcional, mediante o respeito às possibilidade e condições familiares, atentos a cada fase do cilclo familiar, como aida às condições externas. O seguimento da rotina, deve ser planejado a partir do nascimento, na manutenção contínua dos cuidados básicos como alimentação, higiene, sono, na construção de valores éticos, definição de papéis onde os pais são pais e os filhos são filhos, como também na compreensão das consequências diante das decisoes do sim, do não, dos avanços e frustrações .  ( continua no próximo texto).