segunda-feira, 4 de janeiro de 2016




 

 Psicanálise

Estudo- O Mecanismo Psíquico do Esquecimento, Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund  Freud, volume III.

Lembranças Encobridoras- páginas: 333 a 354


PEQUENO RESUMO:


1-    Lembranças Encobridoras são recordações nas quais o conteúdo manifesto é visto pelo sujeito como não significativo, banal.Todavia, esse conteúdo é rico em detalhes, sentimentos precisos e intensos, chegando muitas vezes  a serem alucinatórios.

2-      Desta forma, sob o manto de uma recordação aparentemente, banal, parece ter outras experiências da vida psíquica anteriores ( infantis), ou posteriores, bastante significativas que encontram nessas memórias, base para se manifestarem através de símbolos;  essas partes esquecidas contém tudo o  que nessas lembranças significativas foram omitidas, antes de serem esquecidas.

3-      O que é registrado como imagem mnêmica não é a experiência Relevante. Essas cenas forma  retidas.

4-      O processo psicanalítico investe na busca do estudo e da compreensão das relações e conexões que existem entre o conteúdo psíquico das neuroses e a vida infantil do seu paciente.

5-      As crianças de 3  a 4 anos apresentam uma significativa organização mental em relação a sua compreensão emocional e não encontram-se razões óbvias que se explique a amnésia infantil.

6-      Alguns pacientes não se recordam dos seus primeiros anos de infância; outros só tem recordações a partir dos seus 6 anos.

7-      Pesquisa realizada em1895, pelos Henri ouviram 123 pessoas acerca das suas lembranças infantis; 82 delas trouxeram lembranças a partir dos 2 a 4 anos. As outras 61 pessoas só tinham recordações a partir dos 6 anos.

8-      Por que se  suprime aquilo que é importante e se retém o que é indiferente?

9-      Duas forças psíquicas estão presentes em lembranças encobridoras: UMA que dá ao fato, ação ou sentimento significado importante e a OUTRA que é uma resistência à recordação desagradável.

10-  A Lembrança Encobridora é o resultado desse processo.

11-  A Lembrança Encobridora seria um caminho para se encontrar outras experiências conexas.

12-A resistência acontece pela existência de um conflito e de uma ideia censurável. Essa ideia censurável pode ser de forma associativa DESLOCADA, emergindo sob a forma de outra lembrança.

 13-O processo analítico vai trabalhar no aprofundamento dos motivos originais da retenção da lembrança ( retida)procurando compreender acerca da relação mantida pelo paciente, entre o conteúdo aparente e manifesto da sua lembrança e aquilo que foi suprimido, latente; os elementos essenciais omitidos.

14- Resumo do caso de um paciente citado no artigo:Sonho “infantil”- símbolos, campo, flores, cores,o paciente enquanto criança, brincadeiras infantis, agressividade, recompensas...
    
15- O analista vai junto com o paciente trabalhando cuidadosamente na análise dessas lembranças que encobriam significados antes não compreendidos. Buscam os significados dos símbolos, experiências, mediante a Associação Livre.

16- Perguntas chaves trazem aos poucos o olhar mais curioso e atento do par analítico: Quando começaram essas lembranças, seu contexto, seus significados, o quanto essas recordações afetaram a  vida do paciente, em  quais  momentos  as lembranças apareciam..

17- Importante observar que nesse caso estudado as lembranças do paciente aconteceram quando ele tinha 17 anos e depois aos 21 e dentro de contextos que aludiam ao passado, mas na vivência de experiências das idades mencionadas. 

18- Todavia as lembranças falavam de uma vontade do paciente em melhorar o seu passado. Ex. Se tivesse ficado na terra natal, hoje poderia estar...

19- Trabalho de análise seguindo na exploração e aprofundamento dos vários símbolos reforçados pelo paciente nas suas lembranças, provocando abertura e insights, trazendo condições ao paciente de ver como suas lembranças encobridoras ocultaram seus desejos, e quais as relações que podem existir entre o conteúdo manifesto e o que foi suprimido: o latente.

20-É essencial o cuidado ao processo de interpretação das lembranças, imagens, para NÃO atribuir um sentido culturalmente aceito às imagens, mas antes de tudo saber que os pacientes podem ter significados mais profundos e subjetivos.

21- Na maior parte das cenas infantis o sujeito se ver como uma criança que se observa como um observador externo. Desta maneira é evidente que quando fala de uma cena pode não ser uma repetição EXATA da impressão original, podendo essa recordação ser muito elaborada.

22- Muitas lembranças da infância, quando faladas por outras pessoas revelam não terem sido tão verdadeiras.

23-Essas modificações estão a serviço de objetivos de repressão, repulsas, deslocamentos. A lembrança falsificada é a primeira que tomamos consciência; o conteúdo pelo qual a forjamos continua inconsciente.

24- O artigo QUESTIONA: SE TEMOS MESMO ALGUMA LEMBRANÇA DA NOSSA INFÂNCIA, OU  SE AS LEMBRANÇAS RELATIVAS À NOSSA INFÂNCIA PODEM SER TUDO QUE POSSUÍMOS.

25-Lembranças infantis mostram nossos anos NÃO como foram, mas como nos aparecem nos anos posteriores em que as lembranças foram despertadas.

26- Ao despertar as lembranças encobridoras, elas não emergiram elas foram FORMADAS NESSA ÉPOCA.

             Lígia Maria Bezerra de Oliveira-  Psicanalista

terça-feira, 15 de dezembro de 2015



VAMOS EM FRENTE!! FELIZ NATAL E FELIZ ANO ANO NOVO!!!Lígia Oliveira- terapeuta casal, família psicanalista

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Avós e Netos- Refresco Para a Alma




Fiquei olhando eles de longe. A avó e o neto em uma dança harmônica tanto em compasso como em sintonia.
A avó, pacientemente, ensinava e reensinava ao seu neto bebê,  esse, mais ou menos com  onze meses, a noção do dentro e fora em uma caixa colorida, na qual quadrados, estrelas  e cubos entravam e saiam tilitando em uma música que trazia o som repetitivo da amorosidade.
Os dois se misturavam nas suas vivências de aprendizado...O sorriso curioso do neto e a alegria paciente da avó me falavam sobre um mundo que estava sendo descoberto ali, naquele momento. Para a avó a presentificação da experiência reaprendida ( fico pensando como teria sido a sua maternagem com os seus filhos), para o neto a identificação de uma energia de afeto, sabedoria e disponibilidade amorosa.
Acredito muito na força desses "pedacinhos de luz" e de outros momentos similares, à criação dos nossos "amortecedores" de vida. Além de favorecerem uma base segura para os netos, funcionam como refresco à  alma dos avós . Quem sabe também dos netos...
Hoje, também como avó, quieta e no meu canto,  fico refletindo sobre o valor daquela necessária e afetuosa "rede de apoio" e trocas.

Observo nesse processo traansgeracional o neto dando seus passos iniciais na vivência afetiva cognitiva e emocional, e, a avó seguindo no seu  intercâmbio entre o mundo "velho" e o mundo"novo", reaprendendo, com o neto, quais as bagagens, que precisam ser mais exercitadas em vida, penso eu:  paciência, aceitação do momento presente e serenidade amorosa.

       Lígia  Oliveira- Terapeuta de família e casal

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Espaço Para a Ternura








Antes de começar a escrever pensei que o título poderia parecer piegas, para alguns, nos dias de hoje.
Depois refleti sobre o que essa insegurança estava a dizer sobre  mim. Percebi, então que a linguagem da emoção é prioritária no meu sentimento, e é através dela, que muitas vezes, me encontro comigo mesma e com pessoas queridas, através da minha memória emocional, tão significativa no meu viver.
Sinto que quando abro espaço para a ternura, deixo meus afetos se expressarem por fios coloridos e serenos. Relembro momentos ternos presentes no olhar de uma mãe ao filho, no carinho da pessoa amada, na face da pessoa querida, na mãe que cobre o filho antes de dormir, na avó que cuida do seu neto, com o qual volta a sentir a ternura, talvez, já não tão presente na sua vida, no filho que reensina o aprendizado aos pais já idosos, no casal já velhinho que passeia de mãos dadas, no olhar de aconchego e o doce colo do dono ao seu cachorro ...
Como voce relembra seus momentos de ternura? Em que proporção eles adoçaram a sua vida e a vida do outro? Que cores voce daria a essas vivências? Como, hoje, voce "deixa" essa emoção ser presente na sua vida? A quem dava? De quem recebia? E hoje, como responderia a essas indagações?
Olho para minha história e degusto meus momentos ternos. Ah, foram e ainda são frequentes, valiosos e aparecem nas minhas lembranças como pingos de luz coloridos, os quais me trazem um suave sorriso nos lábios e serenidade na alma.
A ternura, em  essência, nos desarma e nos transporta a uma energia amorosa de doçura, gratidão com gosto de "quero mais".
O cultivo da ternura, tanto na sua motivação interna quanto na externa, fortifica os relacionamentos,  torna o amor mais visível e concreto, e, faz nossa "programação emocional" ficar mais mansa.
Gestos, olhares, palavras, carinho, linguagem que aproxima, que traz boas sementes para essa "tarefa" tão repleta de significados que é a vida. 
A vivência da ternura amplia nossa capacidade de amar, não só de se sentir amado, não só de pedir, mas também de querer dar, de se entregar  e de retribuir, essa vibração compartilhada de bons fluídos que  vem junto com um sentimento íntimo e  doce que nos faz crescer em sensibilidade e amor.
Como voce percebe e vive hoje a ternura na sua vida?

    Lígia Oliveira - Terapeuta de casal e família

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Sagrado em Nós


   


Anselm Grün  em seu livro, Não Esqueça o Melhor, fala que a auto-observação, por si só, já e´uma oração. Reflete o autor que essa parada interior funciona como um ato de nos despir dos nossos medos, anseios, desejos, culpas, arrependimentos...Quando essa busca é verdadeira não enveredamos pelas estradas da fuga de nós mesmos.

Bom, também, nesse percurso quando vamos desnudando-nos  dos nossos sentimentos e ações permitindo a retirada de nossas máscaras, todavia, nos motivando mais para ouvir as vozes do nosso anjo de Luz que nos impulsiona para  lugares mais férteis de inteireza, esperança e autenticidade.

Quanta coisa poderá ser jogada fora, reciclada, transformada, aceita, uma vez que a nossa conversa com o Sagrado, em nós, nos alarga as inclinações do nosso coração à reconciliações com as nossas almas.

Nesse instantes  de silêncio e de tantas falas interiores vamos valorizando as histórias que nos   levaram à  construções felizes, contudo, encontramos também muitas recordações guardadas,as quais trouxeram marcas de sofrimento a nós e à pessoas queridas.

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Então, nesse momento reavaliemos acerca desses "guardados", a  nossa participação nessas vivências,e nos motivemos, devagar, contudo, continuamente, ao desafio de ressignificar os nossos diversos tempos, passado, presente e futuro em busca do entendimento de saber como queremos seguir daqui por diante com a gente mesmo, com o nosso próximo e com esse mundo  de meu Deus que nos acolhe e nos e  faz seguir adiante..

Nosso diálogo emocional e espiritual segue podendo olhar de frente  fracassos, mal feitos, descobertas da incompletude dos nossos mais diversos eus, todavia nos faz entender,( não justificar) as  implicações  de sermos frágeis, humanos, limitados...

Em algum lugar, agora, dentro de nós surge uma vontade mais forte( o sagrado) de junto com nossas fraquezas visualizar nossas forças e aos poucos, e sem exigências extremas ir harmonizando essas duas presenças no nosso viver.

                                 LígIa Oliveira- Terapeuta de família, casal e psicanalista