terça-feira, 5 de abril de 2016

Ser Fiel a Si Mesmo










Na nossa vida, por influências dos outros e por insegurança interior, costumamos, em algumas situações, nao sermos fiéis às nossas idéias, nossos sentimentos e pensamentos...
Talvez por termos explorado pouco, em nós, nossas posições, ( que sabemos podem ser transformadas)  mais atentamente. Medo? Preguiça? Insegurança? Dificuldade? Um pouco de tudo...
Avalio que para sermos fiéis a nós mesmos, precisemos  passar pelo caminho de saber bem sobre aquilo que acreditamos, queremos, desejamos, como ainda, acerca dos nossos recursos e limitações.Desta forma, poderemos  mais assertivamente, expressar nossos pensamentos, como também ficarmos mais abertos à reações favoráveis, contrárias e complementares.Essa postura tem íntima relação com o nosso olhar consciente de ser e estar no mundo, sendo esse interior e relacional.
Não defendo aqui a postura do "dono da verdade. Ao contrário, o processo de fidelização a si mesmo passa, principalmente, pela exploração da abertura ao diálogo com múltiplas visões do mundo, que mediante trocas, nos habilitam a construir nossas posições de vida, as quais sabemos podem se integrarem  a outros olhares, de maneira dinâmica e contínua.Com isso fazemos o mundo e a gente caminhar, sonhar,parar, acreditar, questionar, realizar..
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Vejo que as pessoas fiés a si mesmo estão em um percurso voltado à espontaneidade e à auto-estima, responsabilizam-se pelo que fazem e não delegam aos outros seus resultados(apenas as partes que lhes cabem ). Elas desenvolvem uma base aliada de forças interiores para  irem em busca da compreensão de como transitam em diferentes espaços e vibrações, entre o pensar, o sentir, o agir e como essa compreensão modela seus significados, ações e, consequentemente, seu relacionamento com o outro e consigo mesmo e com esse mundo que nos cerca.

                      Lígia Oliveira- Terapeuta de casal,  Família e psicanalista

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Continuo Abraço da Mágoa





       O Contínuo Abraço da Mágoa

Atendimento a um casal em conflito: A conversa seguia na busca dos principais motivos que os levara à Terapia de Casal. Dentre as múltiplas razões, uma razão menos falada com palavras, mas compreendida mediante olhares, gestos e expressões faciais se sobressaía:  a mágoa. "Ela" estava ali presente como uma ponte que os levava, cada vez mais, ao distanciamento afetivo.

O momento era repleto de olhares quase só voltados ao outro, muito mais "naquilo" que o outro tinha de "pior".

Falar acerca do outro na sua "dimensão menor", trazia ao casal um sentimento de revolta, ou seria de desvalia, ressentimento? Não saberia bem definir, pois por mais que nós terapeutas nos aprofundemos na experiência do outro, esse esforço não nos aproxima tão intensamente, das suas dores. Tive a compreensão que a dor"falada" parecia  menor do que a experiência sofrida.
Percebia os dois sozinhos, cada um com a sua visão, razão, sem motivação à da busca da aproximação da dor do outro.

Refletimos juntos que a continuidade daquele caminho pelo casal poderia trazer como consequência a "instalação" de alguns outros monstros como  a mágoa ressentida, vingativa e essa quando alimentada, investe em conversas que nos aprisionam, trazendo um clima interior de guerra silenciosa, onde é necessário ver  que o primeiro a ser morto é a gente mesmo.

Como terapeutas precisamos acolher, explorar, compreender e ressignificar junto aos clientes suas conversas destrutivas, como ainda  fazer nascer e ampliar as construtivas.

Leva tempo, requer abertura, idas e vindas, escuta compassiva da dor vista, falada, vivida e revivida.
Essencial entendermos como as mágoas cresceram nesses contextos de falta, revoltas, ressentimentos,e, outros "amigos" que se instalam como "companheiros de viagem".
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Para onde o casal quer olhar?

Se a escolha for investir em  percurso do entendimento recíproco, e, quem sabe do perdão, o caminho tenderá a ser reestruturado com passos mais verdadeiros e ao mesmo tempo mais afetivos.
Todavia, se o casal resolver dar as costas às possibilidades de melhoria afetiva, então teremos como consequência estradas com mais desamor.

Até quando e para que preciso ficar presa a essa minha necessidade de sofrimento, fazendo minha minha alma viver refém da lamentação?


                      Lígia Oliveira- Terapeuta de casal, família e psicanalista