domingo, 24 de junho de 2012

Melhorando meu Relacionamento com o Tempo




" Mariana arruma tempo para tudo e consegue com seu jeito organizado fazer o que foi planejado.Quando olho para mim, me vejo meio perdida no meio de tantas tarefas, muitas inacabadas e uma sensação no peito de tempo perdido".
Importante atentar para a citação acima e observar melhor o comportamento das pessoas em relação a sua forma de administrar seu tempo e a ansiedade diante de tantos afazeres do cotidiano.
Percebemos que aquelas pessoas que sabem "aproveitar" bem o tempo, desenvolvem várias atividades e  têm motivação e disposição para seguir em frente. Aquelas que não trabalham essa habilidade, se atrapalham, nessa administração, seja por escolherem não adequadamente as ações, por um padrão comportamental pouco voltado ao planejamento e também à procrastinação( adiamento constante do que precisa fazer, deixar para a última hora).
As pessoas que conseguem uma boa relação com o tempo, falam que um dos maiores segredos é planejar, fazer uma tarefa de cada vez,  terminar cada coisa, para só depois partir para a próxima. Em outra palavras: Estabelecer prioridade, ritmo e foco.
" O mundo sempre vai nos pedir um milhão de coisas. Mas não podemos esquecer que o tempo é nosso tesouro e a oportunidade de ganhar ou perder", reforça a professora Flávia Rodrigues, em uma entrevista dada a uma revista que fala sobre comportamento.
Os fatores extressores externos como trânsito, cobranças no trabalho, familiares, afetivas, dificuldades financeiras, podem propiciar ainda mais um desgaste nos nossos compromissos.
Quando queremos melhorar nossa relação com o gerenciamento do nosso tempo, no início pode ser difícil mudar hábitos já cristalizados. É essencial que, de forma atenciosa, consigamos entrar em um acordo entre nosso tempo e as nossas demandas pessoais, sociais, familiares, afetivas, profissionais....
Observamos que na ocasião dos primeiros passos em direção a essa organização, se seguimos com determinação, começamos a vivenciar momentos de mais harmonia, menos ansiedade, e no caminho desse percurso vamos nos sentindo mais habilidosos com os nossos horários, tendo o cuidado para não ficarmos escravos do relógio, aprendendo a usá-lo a nosso favor. Ou seja, abandonamos o nosso lugar de vítima do tempo, a reclamação de estar, continuadamente, colocando a culpa em fatores externos, e assumimos, de fato, nossa reponsabilidade em usar o tempo como um aliado.
Refexão:
Como me observo em relação à administração do meu tempo?
Em que percurso me coloco: Deixo para última hora,
sou ansioso e quero fazer tudo rapidamente, ou
procuro fazer do relógio um aliado?
Em que área da minha vida preciso melhora em relação  à  minha relação com o tempo?

                      Lígia Oliveira - Terapeuta de casal e família

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A Quem Voce Dedica a Sua Gratidão?





Sentada com um álbum de fotos no colo, pouco a pouco, reconstruia momentos vividos. Agora, com novo sentimento e sabor na alma: Gratidão.
 
Olhava para pessoas queridas, familiares, amigos muito próximos, e agradecia ao Grande Mestre, o momento presente e também tantos outros passados.
De repente, lá no fundo do sentir, me veio uma lembrança de uma pergunta que ficou na minha mente depois de uma palestra que participei: " A quem voce dedica a sua gratidão"?
Pensei em alguns rostos queridos, família, amigos presentes na minha vida, outros ausentes geograficamente, mas tão presentes nas minhas memórias.
 
"Gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor, etc... ( Wikipédia).
 
 Alguns escritos sobre o tema, falam sobre o sentimento de dívida emocional que a gratidão pode despertar. Penso diferente. A vivência de um sentimento legítimo de agradecimento ,traz à nossa alma e  nossa essência a ampliação de sentimentos como a disponibilidade, o reconhecimento, a ternura e a motivação de retribuir amorosamente.
 
Quando nos abrimos para a gratidão, percebemos que nossa existência ganha mais serenidade e nosso coração começa a enxergar uma infinidade de bençãos, antes não olhadas. Nossa espiritualidade amplia e passa a colocar na nossa"lista espiritual", tantos e tantos momentos, muitas lembranças, que, agora, para nós, tem cores mais suaves, todavia, nem por essa razão menos vivas.
 
Os sábios nos levam a praticar o agradecimento voltado tanto para os fatos positivos como para os negativos. Reforçam a compreensão que em todos os espaços existem ensinamentos e oportunidades de aprendizagem e crescimento. Nesse momento, refleti acerca de pessoas que me fizeram  "mal". Todavia, hoje avalio o quanto também, essas experiências me fizeram olhar o outro lado da vida: o meu lado: minhas limitações, implicâncias, medos, projeções e também avanços.
 
Olhe, nesse momento, para voce e reflita sobre o seu caminho de agradecimento. Quem sabe se investir mais em uma atidude amorosa e concreta do exercício da gratidão, voce estará  acionando melhor uma energia curativa de luz, harmonizando seus padrões mentais, como ainda facilitando a entrada de mais leveza à vida?
 
Feche os olhos e, devagar reflita:
A quem voce dedica a sua gratidão ? O que voce teria para agradecer a voce mesmo?

OBS- Hoje, dentro dessa energia de gratidão, quero também agradecer a todos os meus queridos leitores, que amorosamente, me deram uma parte do seu tempo, desde o início do blog, janeiro de 2012, me ajudando através dos seus comentários, palavras de apoio e incentivo a chegar hoje, 18-07-12, na marca de 3099 páginas lidas.
A todos a minha sincera gratidão, Lígia Oliveira

terça-feira, 15 de maio de 2012

Famílias - Convivendo com o Câncer




Nos tempos atuais, diante da abertura dos meios de  comunicação e  de uma vivência maior dos doentes portadores de doenças mais graves, mediante os progressos da medicina, observamos as diversas maneiras das famílias com familiar com câncer, responderem à ansiedade que essa patologia traz consigo e no seu entorno.
 
Hoje em função dos constantes avanços da ciência, o câncer, dependendo do período da sua descoberta, pode ser considerado uma doença crônica ou até curável.
Sabemos que desde o diagnóstico até o extenso caminho do tratamento, o quanto todos os membros familiares ficam fragilizados.
 
No aspecto emocional é natural que possam surgir nos familiares, portador e família, manifestações de raiva, tristeza, revolta, agressividade, ou até mesmo de negação e fuga.
No que diz respeito a parte social, a família, na maioria das vezes, no início, escolhe o segredo. Em alguns casos é vivenciado o isolamento em função do câncer ser visto, hoje bem menos, como uma doença que percorre dia a dia um corredor muito próximo da morte.
 
No tocante a parte financeira familiar, a doença e os cuidados que ela demanda, poderão originar despesas extras e limitar as condições de gasto familiar.
Percebemos também que o sofrimento no processo da doença, facilita, em algumas famílias a aproximação e o desenvolvimento da espiritualidade, seja essa entendida como ações voltadas à solidariedade ou como uma valorização mais próxima da figura de Um Ser Maior e  do amor, ressignificando valores e comportamentos.
 
A Terapia Familiar diante desse processo mediante acolhimento da família, orienta o olhar para tres fatores, como meio de facilitar aos familiares no compartilhamento desse momento tão delicado:
 
      -   Provimento de um conforto emocional imediato;
      -   Criação de uma rede de apoio;
      -   Mudança de padrões de funcionamneto familiar.
 
No processo de enfrentamento do câncer a família passa por transformações nos mais diversos segmentos: papéis, funções, dificuldade de controle e aceitação, autonomia, disponibilidade, espaço, rotina cotidiana...
Como já dissemos, anteriormente, percebemos a área emocional  como  a mais sofrida, em função do estigma da doença, efeitos colaterais, sofrimento no tratamentos, idas e vindas ao hospital...Carcateriza-se por ser um período repleto de medo, esperança, desesperança, ansiedade, superações...
 
Carvalho, 2003, fala o seguinte sobre o câncer e nossa relação com a doença: " Existem muitas doenças fatais além do câncer, porém a impressão é que a outras doenças matam, o câncer destrói".
A função da Terapia Familiar é contextualizar a família no presente, acolher seus sofrimentos , trabalhar suas  alternativas de solução e reforçar o caminho da superação.
 
Entendemos que é uma tarefa que tem muitos altos e baixos, onde o sofrimento e a queixa precisam ser sentidos, falados, acolhidos e legitimados. Que juntos terapeutas e familiares possam, cooperativamente, se revezarem nas suas fraquezas, esperanças, coragem,limites e superações para que a afirmação acima de Carvalho não seja realizada.

Obs- Leitura base na realização do texto:
         Capítulo 8 do livro : Fortalecendo a Resiliência Familiar, Froma Walsh,S.Paulo, : Roca, 2005

         Lígia Oliveira- Terapeuta de Casal e Família

terça-feira, 8 de maio de 2012

Crise e Superação : Terapia de Família e Casal




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Percebemos no processo da terapia, que os casais e as famílias com um olhar mais voltado à força e à resiliência( motivação para superar as dificuldades), desenvolvem melhores condições no enfrentamento dos desafios da vida e seus resultados contabilizam mais vitórias
.
Compreendemos essa não ser uma "postura" simples e fácil. Observamos o quanto esse caminho necessita de  um olhar cooperativo o qual demanda idas e vindas, como ainda as pessoas envolvidas nas dificuldades, saberem que poderão se alternar em momentos de doação, de força, paciência e otimismo realista,  mas também entenderem que terão situações onde poderão precisar do ombro e do afeto do outro.É um processo mútuo de apoio, trocas e construção.
Entendemos que os momentos de crise trazem aos casais e famílias a vivência ativa das diferenças, semelhanças, limitações, possibilidades, o que dependendo da ocasião intensificam os conflitos.
É comum em situações difíceis acontecer um período crítico, no qual vários acontecimentos complicam a dinâmica do relacionamento familiar e conjugal. Pode ocorrer o que denominamos de "onda de choque", ou seja, problemas sucessivos que originam novas dificuldades.
É importante que a Terapia Familiar e  de Casal procure junto aos clientes identificar as situações que desencadeiam os problemas, ações que perpetuam essas dificuldades como também os recursos de cada um, da família e do casal como um todo.
Procura-se investir em um olhar realista sobre os comportamentos que já foram vivenciados anteriormente em busca da superação, cuidando para não ter uma postura paralisada na crise. Caminha-se para melhoria da comunicação, explicitando-se falas, escutas, desejos, neecessidade, expectativas, medos... Junto, terapeuta e clientes, precisam descobrir os comportamentos destrutivos que alternam reclamações e silêncios que podem gerar e ampliar a crise familiar e conjugal, procurando ofercer aos clientes um contexto afetivo e protetor à compreensão de emoções tão carregadas de conflitos e dores.
O caminho segue trazendo movimentos de  enfrentamentos e as suas possíveis adaptações,  mediante as possibilidade e os limites das família e casais.
É importante salientar que em relação à superação familiar uma postura mais resiliente diante das dificuldades muito irá auxiliar uma compreensão mais ativa dos passos a seguir como facilitará o acesso de novas modelos de ação e aceitação.
Finalizando, cito Froma Walsh, estudiosa  em resiliência  que diz:"Quando o foco familiar ou conjugal é mais voltado à motivação para superação e ou aceitação dos obstáculos, os casais e famílias cada um a seu modo, compartilham vivências voltadas à prendizagem da adequação dos seus desafios com os seus recursos".
Avalio que esse é um caminho que construímos quando não queremos ficar apenas no primeiro passo .

Obs- Principais motivos para realização de terapia de casal e família:

    Conflitos constantes- brigas
    Problemas de comunicação
    Agressividade- verbal,física
    Problemas com a família de origem
    Desconfiança- Infidelidade
    Problemas na administração financeira
    Individualismo exagerado
    Alcoolismo- dependência química
    Depressão, transtornos de comportamento

   O casal ou a família entra em contato pelo telefone 9 99678834, ou pelo email, ligiaolivaaa@gmail.com, marcando uma entrevista inicial com a terapeuta.

Lígia Oliveira - Terapeuta de casal, família e psicanalista( individual).







sexta-feira, 4 de maio de 2012

Quando o Choro Fala Sobre o Que Não Foi Falado




No livro Os Desafios da Terapia Irvin Yalon, 2006, o autor diz que o choro  "significa a entrada nos compartimentos mais profundos da emoção". Reforça que a tarefa do terapeuta, nesse momento de expressividade é encorajar o cliente a mergulhar  mais a fundo no sentimento. Procurar não sair desse momento. Permanecer nele com respeito e acolhimento, mas não negar nem confortar a emoção. É preciso vive-la, para senti-la e entende-la.  Quem sabe, se com esse comportamento, não fiquemos tão paralisados na dor.

Yalon até faz uma pergunta muito oportuna sobre o choro do cliente: "Se suas lágrimas tivessem uma voz, o que estariam dizendo"?

Lembro, agora, de um casal atendido por mim, cujo homem desenvolvia um comportamento sempre muito racional e contido. Pouco a pouco foi se entregando ao processo terapêutico. Perdia, encontro a encontro o medo da vivência mais livre do sentimento, e dos seus significados para sua vida. Houveram situações de grande entrega emocional, no qual o choro e as lágrimas ajudaram o homem e a mulher a se soltarem das suas amarras e irem compartilhando suas mágoas, dúvidas, seus receios e pedidos.
Reflitamos juntos sobre aquele choro não mais entendido, como fragilidade, vulnerabilidade, contudo como uma nova forma mais inteira e humana de compreender e viver a vida.

Como terapeutas é essencial que procuremos aprofundar o significado do choro dentro do contexto passado, traze-lo para a situação presente e junto com o cliente explorar a compreensão, como bem falou Yalon, sobre o que a lágrima de ontem diria para a lágrima do hoje e vice versa.
Importante também olharmos e aprofundarmos o que no choro do cliente, está doendo na gente.

                                         Lígia Oliveira- Terapeuta de casal e família

 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Andar por Antigos Caminhos, Tomando Novos Rumos





Quantas vezes nos deparamos com cenas e ações repetitivas, desgastadas que não trazem nenhum acréscimo positivo às nossas vivências.

Fico pensando nas inúmeras ocasiões que percorremos, de forma automática, nossos caminhos, sem enxergar sinais e chamados que, se olhados, poderiam melhorar muito nossos relacionamentos tóxicos ( conosco e com o outro), que nos adoecem e nos paralisam.

Como não perceber as nossas bagagens pesadas e desnecessárias que fazem a gente ficar teimando em um percurso sempre pelo mesmo caminho e que em grande parte nos acrescenta mais sofrimento e insatisfação?
Onde foi que a gente parou? O que precisamos olhar mais, acolher, aceitar ou mudar?

Nessa reflexão e parada é importante que voce se torne capaz de se ouvir, se observar e compreender suas memórias, ganhos e perdas.

Pare e reflita. É a estrada que voce deseja? Muita coisa voce conseguirá, se de forma mais paciente e serena, cooperar com voce mesmo, todavia, também, ir aos poucos, junto a esses avanços, compreendendo suas limitações e vendo as fronteiras que, agora, pode transpor ou ainda não.

Observe suas escolhas e se responsabilize por elas. Se precisar dê meia volta - volver e comece tudo novamente.  Vá transformando aos poucos, esse conhecimento em sabedoria.

Nesse processo de avaliação da nossa vida, atentemos para a nossa motivação em lidar com situações antigas de forma nova, com menos automatismo, menos reclamação e  com mais leveza.

Quem se seu novo olhar e a inter-relação com seus triunfos e desapontamentos, agora mais observados e compreendidos, poderá favorecer posturas mais sadias em relação a um comportamento  mais afetivo, próximo e efetivo?

Diga a si mesmo que permitir que a velha forma automática de agir volte é pura perda de tempo e energia. Pois tudo que aqui conversamos só terá validade se voce vivenciar.

Por onde voce quer começar?


              Lígia Oliveira- terapeuta de família e casal      -  www.terapiacasalefamilia.blogspot.com


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Terapia Familiar e Homoafetividade






Esse texto é fruto de reflexões acerca do tema homoafetividade baseados em referências teóricas e casos  clínicos,os quais trabalhei em consultório. Deixo claro a necessidade de nós terapeutas familiares sistêmicos investirmos mais em estudo e trocas de experiências com outros profissionais e famílias, com objetivos voltados a um melhor aprofundamento do nosso entendimento e do entendimento do outro, em relação  aos significados do comportamento afetivo, cognitivo, emocional e social, individuais e familiares.

Compreendo que também é significativo a leitura da homoafetividade dentro de uma abordagem histórico cultural na qual possamos ampliar o conhecimento das diversas fases de interpretação que essa orientação sexual recebeu ao longo do tempo e suas diversas consequências no contexto individual, familiar e comunitário.
 
No livro Novas Abordagens da Terapia Familiar de Mcgoldrick, 2003, no capítulo 24 o qual fala sobre a homoafetividade, a autora faz a seguinte afirmação:  
 
 "É a família que transmite valores, crenças, e um sentido de ação, assim como um modelo, para o relacionamento. A família também é o principal transmissor das atitudes culturais, habituais, assim como das atitudes em relação a essas atitudes. Dentro dessa família os homens gays e as mulheres lésbicas lutam para estabelecer uma identidade pessoal que vai contra a identidade da família".
É essencial que nós terapeutas familiares possamos ampliar nosso foco mediante o entendimento das múltiplas visões, tanto da família que sofre, naquele estágio, por não compreender a homoafetividade de um dos seus membros, como da ansiedade do familiar homoafetivo que busca uma melhor compreensão da sua orientação sexual.

Uma função significativa aos terapeutas que desenvolvem trabalho com cliente homoafetivo é investir na abertura de um clima que facilite o complexo caminho de diferenciação da sua identificação gay e lésbica.

 Em relação aos pais observamos que precisamos trabalhar, gradualmente, o execício voltado ao autoreconhecimento da homoafetividade do seu filho (a).Essa dinâmica deve se basear, antes de tudo, no respeito e acolhimento dos sentimentos de todos os envolvidos, todavia também, em um olhar abrangente que procura junto à família rever crenças culturais, religiosas e culturais cristalizadas, e juntos caminhar na  desconstrução da idéia que a homoafetividade é patológica.

 Assim sendo, avaliamos que um papel básico incial da terapia é ver  a crise presente, naquele ciclo, como uma resposta familiar possível, olhá-la de frente, explorar os seus múltiplos significados e instrumentalizar a família como um todo, identificando suas possibilidade e limitações.
Entendemos que reforçar a prática sistêmica na direção da compreensão da reciprocidade das partes envolvidas no trabalho terapêutico envolve, entre outros, a atenção aos seguintes pontos:

  .  A família necessita de um tempo cronológico e emocional relativo ao sentimento da perda dos sonhos e projetos voltados ao filho homoafetivo;

  . A vivência do homoafetivo passa por fase de negação, ambivalência, tentativas sofridas de experiências heterossexuais, períodos de raiva, medo, ódio, depressão, até assumir seu self homoafetivo. Muitos, mesmo após a revelação, ainda vivem dentro de uma conspiração própria de segredo;

 .  Sofrimento emocional e psicológico do sistema familiar por muito tempo e a percepção que o processo de autoconhecimento que antecede a revelação é muito complexo;

 .  A revelação traz junto uma grande insegurança ao homoafetivo pelo medo da perda do apoio familiar; na maioria das vezes a revelação tem um alto preço.

. Revelação como meio de favorecer, por parte do homoafetivo, a autonomia da sua vida, investir na autoestima, como ainda facilitar condições para a melhoria do isolamento social;

. O membro homoafetivo deverá ser encorajado ao entendimento das possibilidade e limites dos pais, sendo explicado a necessidade do cultivo da paciência e empatia pelo sistema parental;

. Acolhimento aos pais a exporem suas lamentações, seus  conflitos pelas expectativas perdidas e não compreendidas em relação aos filhos e ao mito da família"normal";

. Muita vezes a revelação da homoafetividade de um dos filhos pode vivenciar um processo carregado de culpa, rejeição, vergonha. Alguns pais alimentam um movimento de racionalização, "acreditando" ser só uma fase do filho e tentam, ao máximo, mudar a orientação sexual do filho(a).

. Após a revelação da homoafetividade o relacionamento familiar poderá  desenvolver os seguintes comportamentos  em relação ao familiar homoafetivo:

      Distanciamento afetivo, físico  e emocional;
      Invisibilidade;
      Não aceitação e conflitos constantes;
      Aceitação restrita e contrato de silêncio para os não familiares;
      Aceitação e aproximação gradual da homoafetividade.

A Terapia Familiar trabalha no sentido de junto com a família rever e transformar suas interações em formas mais claras e positivas de comunicação. Procuramos investir na família mais voltados aos processos familiares, ajudando-os na ressignificação dos seus significados.

 Empreendemos esforço para que a família fortaleça  uma maneira mais efetiva e afetiva de compreender suas diferenças e  semelhanças, revendo que algumas mudanças são frutos de caminhadas lentas e que há situações nas quais não conseguimos mudar...Muito bom se ao darmos voltas juntos, terapeutas e clientes possamos, passo a passo ir desconstruindo escutas fechadas e esses novos significados facilitem construções de vida mais plena.

OBS- Leia também, Terapia de casal com casais homoafetivos,-Recife, editado em  julho de 2015

               Lígia Oliveira - Terapeuta familiar,  de casal e psicanalista.