sábado, 25 de maio de 2013

Terapia de Casal - Reflexões Sobre Conjugalidade




 



Estava lembrando de uma sessão de terapia  conjugal que vivenciei com um casal em processo há mais ou menos um ano e meio.
Eles respondiam bem às dinâmicas que fazíamos e se entregavam de forma bem inteira. Lembro-me de uma escultura familiar e conjugal que criaram e fico pensando, como terapeuta, como esses recursos ajudam à leitura na compreensão do todo relacional, quando as palavras não conseguem externar o que os atos e posturas denunciam.
Na escultura, as pessoas não podem falar. Apenas vão fazendo as posições com o corpo que revelem seus estados emocionais.

Cada parceiro vai fazendo as posições do casamento, primeiro no outro e depois nele. Nesse momento, o outro parceiro, apenas, participa e procura entender, mas não pode falar, ou discordar do outro. Apenas se entrega ao sentimento do par. Assim sendo, a escultura relacional é construída.
Ex- Se vejo meu casamento mal, posso colocar o outro e eu, um de costas para o outro...
Só depois de todos os comandos, ditados pelo terapeuta, é pedido que o casal fale, primeiro como se sentiu, como compreendeu a dinâmica, o que lhe surpreendeu, o que concorda com o outro, o que mudaria, para que...

Pensei, nesse momento, em compartilhar com voce um pouco da experiência pedindo que voce leia e depois reflita acerca dos "comandos" que se seguem, semelhantes aos que fazemos no processo terapêutico:
Como você faria uma escultura do seu casamento?

Qual o lugar do seu marido e seu nessa escultura? Estariam juntos? Separados? Olhando um para o outro? Perto?longe, Sentados ou em pé?
Como estariam as mãos de voces? Quem teria a iniciativa de unir as mãos? Como o outro reagiria?
O que o comportamento de voces estariam falando da relação de voces?

Se quisessem mostrar o que  mais queriam mudar do casamento, como fariam isso com atos, junto ao outro?
O que gostariam de dar, agora, ao seu parceiro? Pedir?
Caso aconteçam modificações no casamento de voces, como vêm o casamento no futuro?
Não acontecendo mudanças, qual o desenho do casamento de voces?

Sabemos da importância em querer olhar de frente os entraves que atrapalham a abertura para uma vida relacional melhor, todavia, algumas vezes escolhemos ficar na repetição da acusação, responsabilizando o outro e a situação, em vez de nos apropriarmos das nossas ferramentas que poderiam abrir caixas que iluminariam nossa vida ,e a do outro, de vivências além de mais saudáveis, bem mais felizes. 

                                  Lígia Oliveira- Terapeuta de Casal/ Família e psicanalista




 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Filho Único- Dificuldades de Relacionamento





No livro Família de Alta Performance- Conceitos Contemporâneos na Educação,( Içami TIBA, 2009)  se refere à "Sindrome do Filho Único"(SFU) sendo esse termo utilizado para nos referirmos aos distúrbios de relacionamento apresentados pelo filho único com a sua família e pessoas do seu relacionamento.
A SFU é definida como "um conjunto de sinais e sofrimentos existentes nas pessoas envolvidas nos relacionamento Mãe e Filho Único, Pai e Filho Único e ou seus substitutos"( Içami). Esses comportamentos, dependendo do investimento dos pais nas mudanças necessárias, tenderão a ser de caráter temporário, ou se prolongarão em vários ciclos de vida.
Percebemos que os sinais da SFU aparecem, mais fortemente, na primeira / segunda infância e tendem a minimizar com o tempo, quando existe um olhar mais atento dos familiares mais próximos, no sentido de compreenderem o que é positivo e ou prejudicial ao desenvolvimento do filho único.
Caso essas dificuldades permaneçam, contribuirão ao agravamento de sofrimentos e a perpetuação  das dificuldades relacionais. Desta forma, o filho único, mesmo na idade adulta, estará ainda na busca de uma pessoa que exerça esse papel complementar, a qual "substituirá" o papel do familiar que, na maioria das situações é a mãe.
É fato que os maiores responsáveis pela SFU são os pais."A Síndrome é uma consequência da maneira pela qual este filho é criado, protegido, perdoado, pelos seus próprios pais ou substitutos"( Içami). Todas as energias positivas e negativas são destinadas a uma só pessoa. Há uma polarização do excesso.Assim sendo, é essa condição de excesso que propicia  o surgimento e a manutenção da Síndome do Filho Único.
Observamos que o filho único tem mais chance de desenvolver uma estrutura de comportamento frágil, tímida, ou ao contrário, apresentar ações de tirania, rebeldia, e, constantes movimentos de exigência de uma atenção egocentrada.
Por ser filho único, sua rede de relacionamentos é mais com adultos, fato que o leva a incorporar a linguagem, os costumes, os interesses, diversões da idade adulta... Por não ter uma convivência maior com outras crianças e pelas demais razões aqui já mencionadas, o filho único poderá ter um nível intelectual mais elevado, trazendo consequências de rejeição pelas crianças mais novas, quando em brincadeiras com as mesmas.  Esse entre outros é um dos motivos pelos quais o filho único busca o isolamento.
No período da adolescência, caso o filho único continue nessa postura mais voltada a si mesmo, facilitará a ampliação das dificuldades de relacionamento afetivas, emocionais e sociais entre pais, familiares etc...
Como o adolescer é um período no qual o grupo é a referência, e as amizades tornam-se mais próximas e importantes, o compartilhamento das dificuldades do filho único com amigos, ou até com o seu "melhor amigo," poderá contribuir, positivamente, para a melhoria da SFU.
Por serem mais solitários que os filhos não únicos, os filhos únicos  tem lançado mão a uma "amizade" bem contemporânea: a internet,  local no qual pode desenvolver e alimentar suas amizades virtuais. Esses amigos contribuem ao preenchimento do vazio da falta de irmãos e dos amigos reais no compartilhamento de brincadeira, jogos, conversas.
A literatura e também nossa prática clínica, reforça aos pais a necessidade de uma contínua vigilância, em relação ao uso da internet, uma vez que o mundo virtual pode ser muito perigoso.
No tocante ao uso de drogas e à sexualidade, pesquisa apresentada por Vallego Nágea, www.portaldafamilia.org,  pontua que os filhos únicos usam menos drogas que os filhos não únicos. Todavia, quando iniciam a experiência, existe uma precocidade maior  na utilização das drogas.
Como é sozinho pode ter a chance de se drogar no seu próprio quarto sem testemunhas. Muitos só vão perceber a dependência tardiamente.
Em relação à iniciação da vida sexual, a pesquisa citada registra que os filhos únicos também vivem esse momento mais cedo que os filhos não únicos.
O desempenho escolar do filho único, geralmente é bom, por conta  do constante  monitoramento dos pais.Entretanto, em alguns casos, problemas decorrentes da SFU, trazem como resultado dificuldades tanto na  área comportamental como cogtnitiva, o que possibilita o decréscimo do  potencial escolar.
É imprescindível que não só os pais, mas também os avós e familiares mais próximos, se trabalhem na compreensão das ações maléficas que o excesso de atenção e realização das vontades do filho único poderão trazer para esse e a família como um todo. O filho único poderá ficar dependente dessa facilidade de vida, onde tudo é colocado nas suas mãos, e entender que PODE tudo, esperando que o mundo esteja ao seu servir. Quando não encontra essa solicitude vai buscar sua saciedade de qualquer forma .
Muitos filhos únicos não foram ensinados, suficientemente, a esperar, ter limtes, trabalhar a frustração e perdas, acontecendo o que IçamiTIBA chama de "obesidade de carinhos, brinquedos, agrados". Atitudes que contribuem ao filho único quererem tudo na sua hora, pouco respeitar o olhar alheio, dificuldades em seguir regras necessárias...
Os filhos únicos que apresentam a SFU esperam que o mundo lhes trate com exclusividade, em função de como seus pais o acostumaram. Uma consequência lógica desse comportamento é um egoísmo aumentado.
Por não ter tido irmãos com quem dividir, brigar, competir, negociar , ganhar, perder, nem em ações concretas como em experiências afetivo emocionais, nem uma educação mais saudável por parte dos pais, o filho único pouco pode exercitar o seu processo de amadurecimento compatível a cada ciclo vital.
Mediante todos esses motivos percebemos que o filho único portador da SFU, não tem um ambiente que possa lhe servir de base pisco-emocional- afetiva para um desenvolvimento dentro de uma estrutura e dinâmica que possa lhe favorecer condições de amadurecimento.

Reflitamos como pais, avós e familiares:

Como vejo a minha participação na SFU,em meu filho, neto...?

Onde posso contribuir positivamente?

Por onde começar?

                                       Lígia Oliveira- Terapeuta de família/ casal e psicanalista

obs- Sugiro ler o livro Família de Alta Performance- Conceitos Contemporâneos na Educação- Içami TIBA,São Paulo, Editora Integrare, 2009, livro o qual foi a base para o texto acima

sábado, 11 de maio de 2013

Ansiedade- Voltando ao Tema



Lendo um pouco sobre a ansiedade, companheira bem presente nos dias de hoje, sob as mais diversas formas, encontrei no livro Freud Básico de Michael Kahan, algumas observações que, agora, compartilho com vocês.

Entendo que melhorar o conhecimento de fatores e contextos, os quais disparam a ansiedade, contribuirá, um pouco, à compreensão sobre o tema, como ainda à criação de alternativas mais conscientes ao desenvolvimento de comportamentos voltados à atitudes mais serenas.

O artigo faz uma diferenciação entre o que entendemos por medo e ansiedade.
Quando sentimos medo sabemos definir do que, qual o objeto, situação...  A ansiedade se caracteriza como um sentimento mais indefinido; sentimos o desconforto, todavia, na maioria das vezes, não sabemos bem definir o porquê.

Asim sendo, a ansiedade é experienciada por uma série de distúrbios físicos, psicológicos, emocionais, afetivos, os quais chegam até nós sem uma explicação lógica dos seus motivos.
Registra Kahan que a ansiedade é "uma antecipação  do sentimento de desamparo diante do perigo."
Se o perigo surge a ansiedade é automática  Se o perigo é ainda iminente, a ansiedade se caracteriza por ser  a antecipação do desamparo diante da situação ameaçadora.

Resalta Freud que a vivência ansiosa não acontece só com a antecipação do perigo, pois quando nos sentimos confiantes diante das situações perigosas, não desenvolvemos a ansiedade.
Sendo a ansiedade uma função do ego, esse precisa aprender a administrar o id, o mundo exterior e o superego, nossa censura, nossa moral vigilante.

 Para um melhor entendimento, reproduzo as divisões feitas por Freud, quando classifica as categorias da ansiedade:

Ansiedade Realista: Quando nos sentimos em perigo diante  de algo concreto do mundo externo.Ex, ladrão, fogo, doenças...

Ansiedade Moral: Quando tenho medo de ser punido pelo meu superego. ou seja : posso fazer algo que me traga culpa.

Ansiedade Neurótica: Essa origina-se por um impulso encoberto pelo id, não sabemos, concretamente quais as suas causas. Quando esse impulso é revelado poderá se tornar realista ou moral.
Sabemos que a ansiedade Neurótica é a vivência de um perigo não claro. Diante dessa compreensão, a meta terapêutica principal é fazer o cliente aprender a lidar, compreender, enfrentar e transformar o processo ansioso.

Algumas abordagens como a  Cognitiva Comportamental trabalha com o cliente no sentido de que o mesmo perceba que a sua ansiedade tem proporções maiores na sua mente, que o perigo real.

Desta forma, o terapeuta investe em técnicas de "dessensibilização sistemática", que de maneira geral, após cuidadoso trabalho, consiste em colocar o cliente em situações de aproximação e enfrentamento da situação ameaçadora. Essa aproximação é realizada, primeiro se trabalhando mentalmente, seguindo-se no enfrentamento gradual ao perigo entendido pelo cliente como real. Mediante experiências de sucesso a ansiedade se tornará cada vez menos paralisante

O artigo também ressalta, que existem muitos casos de ansiedade que sem uma busca mais completa das causas reais inconscientes, poderá haver o perigo de uma recaída, ou até mesmo de uma substituição de sintomas, em função de uma não investigação mais profunda.
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      Lígia Oliveira - Terapeuta de Casal e Família

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Em Qual Espelho Voce Se Olha?






Quando nos motivamos e investimos coragem ao nosso auto-conhecimento, podemos, à medida que avançamos, ir melhor compreendendo e ultrapassando falsas idéias sobre nós mesmos, como ainda fortalecendo nossos recursos.


Esse caminho nos leva, de olhos bem abertos, a percebermos que somos nós os responsáveis pela nossa vida, vez que são inúmeras as ocasiões nas quais "terceirizamos" nossas dificuldades e vitórias.

Sabemos que não é tarefa fácil. Requer coragem, tolerância, acolhimento e vontade de mudança. Assim sendo, procedamos, passoa passo, à construção de um inventário de recursos e limitações


É  muito importante que ao vivenciarmos esse processo autoavaliativo, possamos também aprender a diminuir nossas defesas, exigências, desculpas e projeções. É significativo que fiquemos atentos a como estamos nos relacionando com o nosso presente.
 
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Iniciemos esse percurso fazendo as seguintes reflexões:


Que pensamentos e ações me fazem andar ? Em que bases estou construindo meus sonhos e projetos? Quais as crenças que sustentam minha vida? Quais as crenças que me libertam e quais as que me aprisionam? O que atribuo ao outro que sinto que é responsabilidade minha? Qual a minha fala amiga? E inimiga? O que posso olhar com mais flexibilidade? O que preciso manter?...


Calma... A reflexão requer, primordialmente, observação atenta e serenidade. As perguntas acima são apenas idéias de roteiro que voce poderá modificar, complementar, questionar, esperar... Até porque esse movimento já é uma reflexão focada no auto- conhecimento.
Esse passeio interior poderá ser mais profundo e ameno se o fizermos auxiliado pela nossa espiritualidade, essa compreendida numa dimensão maior, transcendente. Ela nos ajuda nos dando mais Luz , acolhimento e sabedoria.


Olhar de forma clara e inteira para o "nosso espelho", nos coloca em uma experiência continuada da compreensão dos nossos significados e da nossa existência. Teremos mais chances de conseguirmos como resultados, escolhas mais conscientes, amadurecimento, readequação entre sentimento e pensamento, e a melhoria do nosso relacionamento, seja ele interno e com o outro.


Se ainda não começamos esse percurso, e, se realmente desejamos fazer essa "viagem", é melhor que comecemos agora, vez que  as estradas são repletas de surpresas e atalhos, todavia levam a um mesmo lugar: A compreensão e o acolhimento da nossa condição humana, mas principalmente ao caminho da busca de uma vida mais cheia de significado e harmonia.

Em qual espelho voce se olha?

                           Lígia Oliveira- Terapeuta de Casal e Família

          
                                                      
  


        

terça-feira, 23 de abril de 2013

Diálogo- Exercício de Afeto e Aproximação




No seu livro, E Foram Felizes Para Sempre, McMilliam (2001) reforça a importância à vivência ao diálogo para a funcionalidade da relação conjugal.
Dialogar,conversar, implica tanto falar como escutar e o gestual, dando esse último, a um observador atento, a dimensão do que se pode entender além das palavras.

Dialogar não pressupõe que os participantes concordem, pois aprender a conviver com a diversidade de pensamentos e crenças é uma das maiores e difíceis funções do conversar.
Um fator indispensável ao dialogo é o ouvir. Ser ouvido favorece uma postura de respeito, acolhimento, abertura e reflexão às pessoas envolvidas. Aprender a ouvir é um execício árduo com raízes no afeto e na disciplina  do cotidiano.

Na prática clínica com os casais, observamos que o diálogo não avança, na sua essência, entre os cônjuges, pois na maioria das vezes, os casais em conflito , tem como postura a  de enquanto um fala o outro apenas espera o momento do revide alimentanto, repetitivamente, esse padrão. E não existindo comunicação saudável haverá um contínuo distanciamento gerador de mágoas, ressentimentos que adoecerá a relação.

O vínculo amoroso requer que o casal invista em uma conversa íntima e clara, vez que estarão, constantemente, tendo que negociar novos padrões, relacionamentos com o par e outros subsistemas: pais, irmãos, amigos ...Além disso, o diálogo facilita a expressividade emocional do casal.

A conjugalidade exige que duas pessoas renegociem, cooperativamente, uma infinidade de situações que definiram para si antes, mediante a aprendizagem de modelos familiares e do contexto social tais como: espaço, individualidade, uso do dinheiro, lazer, tempo, papéis, responsabilidades...
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É também pelo exercício de uma comunicação saudável que os parceiros compreendem suas possibilidades, limitações, desconfortos, tensões, alterantivas de solução, sentimentos, movimentos esses  que fazem parte do processo de diferenciação daquilo que é do casal e de base individual.
É no diálogo que os cônjuges percebem e desenvolvem oportunidades de trocar, interagir e formar uma terceira dimensão.
O conversar é a matriz da célula da boa comunicação. Assim sendo, para uma mais ampla compreensão sobre o diálogo conjugal, transcrevo algumas observações que Ricota, no seu livro O  Vínculo  Amoroso (2002) escreveu acerca dos cuidados na forma de se comunicar entre os cônjuges:

" Prestar atenção na forma de se comunicar ( entonação,expressão, gestos ); pois se voce tem queixas de ser mal compreendido depois de comunicar-se, talvez algo esteja confuso, um tipo de ruído na comunicação de voces, " na forma de comunicar-se", "na foma do outro receber o que voce comunica", "na forma do companheiro falar consigo", e também  "na forma de voce receber e entender o que o outro realmente quer dizer".

Importante realçar o diálogo como um processo tangível, não idealizado, contudo como uma motivação amadurecida de  aprender a conversar consigo e com o outro sobre o que se sente, o que se quer, não quer, o que se pensa, o que se precisa, o que se pode e as suas respectivas negociações possíveis.
 

Reflexão:
Qual a dificuldade e a facilidade que voce considera mais significativa na sua comunicação conjugal?
Onde voce colabora nessa dificuldade? Onde facilita o diàlogo?
O que voce precisa mudar para dialogar de forma mais saudável?

                                  Lígia Oliveira - Terapeuta de casal e família

          

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O Processo do Divórcio- Parte Tres- Participação da Terapia Conjugal




Continuação da Parte Dois

Na terapia de casal quando um dos parceiros procura por ajuda em função de querer tomar uma decisão de separação é essencial que o terapeuta explique para ele a necessidade e importância da participação dos dois nesse processo.
O objetivo da terapia, nesse início, é proporcionar aos dois, uma melhor clarificação da situação conjugal, mediante a exploração das causas dessa tomada de decisão.
É importante salientar que a intenção terapêutica tem como foco tornar mais lenta e cuidadosa essa etapa, para que os parceiros tenham condições de aprofundar seus motivos, sabendo todos, que a responsabilidade das decisões compete apenas ao casal, uma vez que o papel da Terapia Conjugal é facilitar o diálogo, vez que não casa nem descasa ninguém
Assuntos como a participação de cada um, nas dificuldades que levaram aos conflitos, são bem conversados, nessa etapa da terapia, como ainda diálogos que tenham como objetivo perguntas que explorem o futuro. Esses quetionamentos visam ampliar a compreensão do casal no que concerne às consequências de uma separação e também da continuidade do vínculo.
Os casais são singulares. É dentro dessa singularidade que a terapia conjugal trabalha, construindo junto aos clientes suas alternativas de solução.
Em alguns casos,o o terapeuta poderá orientar uma "separação experimental"(MacGoldrick,316), sem implicação legal, visando acalmar os conflitos, e favorecer um olhar menos reativo. Para tal, é preciso que seja acordado com o casal um tempo determinado para esse distanciamento, como também no final do período, seja realizada uma conversa clara e avaliativa a respeito do caminho a seguir.
Uma outra postura terapêutica, que poderá ajudar a melhor compreender os passos a serem dados pelo casal em crise, é o encaminhamento a um mediador conjugal.
A mediação requer que o casal se encontre com uma terceira parte, o mediador, para discutir e negociar alguns ou todos os temas pertinentes à separação, podendo os dois ex-cônjuges participarem na criação dessas alternativas, em vez de repassarem essa etapa para um advogado.
Quando o casal procura a terapia, com a decisão já acertada, o principal norte terapêutico é priorizar assuntos pertinentes a essa etapa tais como: prática da educação dos filhos, arranjos financeiros, relacionamentos com outros familiares da família ampliada, formato da guarda dos filhos, e, essencialmente, investir em formas de comunicação que facilitem as novas realidades que vêm com o divórcio.
Para tal, é necessário que o terapeuta acompanhe as etapas, desse sofrido processo, ajudando os ex- parceiros na facilitação e compreensão das suas escolhas, decisões e consequências,  como ainda lembrando aos pais a necessidade de manter a colaboração e o desenvolvimento dos seus papéis parentais, como pais que priorizam a saúde emocional e afetiva dos seus filhos.
Nós terapeuta familiares sabemos como esse caminho requer habilidades em relação à vivência terapêutica de uma "neutralidade possível," na qual o profissional não se alie a nenhum dos parceiros, ao mesmo tempo que, tecnicamente,se vincule, em alguns momentos, a cada um dos sus membros.
De forma prática e geral avalio que um dos principais objetivos  terapêuticos do processo do divórcio é a exploração compartilhada e efetiva da maneira pela qual o ex-casal vai administrar suas necessidades emocionais, individuais, grupais, parentais, conjugais, financeiras e reorganizar seus múltiplos papéis, funções e relacionamentos...
Esse percurso tem como estrada maior favorecer aos exparceiros a visão e o entendimento das várias etapas desse ciclo, motivando condições possíveis do ex casal, seus filhos e familiares se tornarem participantes mais ativos na criação de uma forma de viver mais saudável.
                            Lígia Oliveira- Terapeuta de casal e família

Base para o texto: As mudanças no ciclo da vida familiar- Uma estrutura para a terapia familiar- Monica MacGoldrick, Porto Alegre, Artmed, 1995

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Processo do Divórcio- Parte Dois




Continuação da Parte Um

No decorrer do processo do divórcio, independente de quem pediu a separação, cada ex- cônjuge passa por situações de crise emocional, vivenciando uma espiral temporária de altos e baixos.
Um momento significativo acontece quando a separação é compartilhada para toda a sociedade e quando  os ajustes da Justiça são iniciados. É comum, nessas situações, um aumento dos conflitos.
Na  fase que McGoldrick denomina de Reorganização do Sistema o foco é na clarificação das novas fronteiras para todo o sistema familiar, podendo  ser vivenciadas novas dificuldades, em função da necessidade de diversas negociações até se chegar a um novo perfil familiar.
"Os papéis, as fronteiras, a associação e estrutura hierárquica mudam...Todos os subsistemas da família são afetados: marido/mulher, pais/filhos; irmãos/irmãs, avós/netos, conjugalidade
/família,(amigos,trabalho,comunidade". (McGoldrick,1995)
Na prática clínica observamos como todas essas transformações, no  início, reforçam o aumento do nível de tensão, como ainda em algumas famílias trazem posturas de resistências as quais necessitam, habilmente, serem trabalhadas.
Estudiosos das diversas fases do divórcio afirmam que em 95% dos casos o primeiro ano é observado como o período mais difícil. Nessa etapa, as conversas mais recorrentes apresentam como tema a educação dos filhos e os arranjos financeiros da família.
Um ponto essencial para uma elaboração mais saudável do processo do divórcio refere-se ao apego emocional dos cônjuges à relação amorosa. É indispensável se compreender como está sendo experenciado, nos dois ex-parceiros, o divórcio emocional. Explicando melhor: como eles  elaboram seus lutos, suas expectativas idealizadas,observando como essas vivências estão auxiliando ou não a libertação gradual da dependência afetiva do ex- parceiro.
" Elaborar o divórcio emocional é um processo triplo: fazer o luto pelo casamento e pela família perdida, examinar o próprio papel na deterioração do casamento e planejar uma maneira  de seguir em frente sem distorções ou rompimento com o passado"( McGoldricK 1995).
                                  Continua no próximo texto
                                                                      Lígia Oliveira- Terapeuta de casal e família
Obs: Base de leitura para  o texto: As mudanças no cilclo familiar- Uma estrutura para a terapia familiar, Mônica MacGoldrick-Porto Alegre; Artes Médicas, 1995