terça-feira, 19 de novembro de 2013

Conjugalidade e Sexualidade






O dia a dia tão cheio de afazeres e tensões, pode ocasionar a falta de um olhar mais atencioso à relação conjugal, ao parceiro, dando chance à criação de lacunas afetivas, emocionais, pessoais, sociais ... na vida a dois.

Focando na conjugalidade, a sexualidade, observamos, que para o casal caminhar numa vivência amorosamente recíproca, torna-se fundamental o investimento dos cônjuges na abertura e manutenção de um espaço, reservando momentos para o enriquecimento do relacionamento afetivo.

É fundamental salientar  o  cuidado para com as expectativas muito romanceadas, idealizadas. Aceitar as próprias limitações e as do parceiro favorecerá um caminho de realizações possíveis e consequentemente a melhoria do clima conjugal.

Aprender com seu corpo e com o corpo do  outro, vivenciar o que esse contato físico pode oferecer aos dois, por vezes gratificar o parceiro, fantasiar conjuntamente, experenciar a entrega e também a doação, são temperos que contribuirão para uma vida afetiva mais plena .

No tocante à comunicação verbal e emocional, falar com o outro e não só para o outro, querer ouvir e ser ouvido, compartilhar necessidades, desejos e projetos de vida, exercitar o bom humor, ou em alguma ocasiões compreender o mal humor do outro e o seu, entender que existirá dias em que precisamos silenciar   e que temos limites, respeitarmos  momentos de individualidade, são algumas das chaves à criação de alternativas de solução às dificuldade que surgirão.

Reforço como essencial e correlato ao trabalho corporal, que os cônjuges exercitem juntos a compreensão dos conflitos emocionais que estão "escondidos"sob comportamentos conscientes e inconscientes de desmotivação afetivo -sexual.

 "Quando a boca cala o corpo adoece"( corpo na dimensão ampla : física , emocional , psicológica...).
 
  Para o casal:

     Estou investindo na criação de um espaço para a vida afetiva emocional e sexual do casal?
 
    Quais sentimentos meus e do meu parceiro, escondidos, podem contribuir para as
    dificuldades na vida íntima do casal ?
 

                                                                 Lígia Oliveira - terapeuta de casal e familiar

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Nossa Fala: Conteúdo e Forma




Nossa Fala: Conteúdo e Forma
 

 Dia de terça feira.Manhã e tarde voltados ao atendimento de casais e famílias.

Em alguns clientes sinto uma energia de motivação que nos traz( a nós, terapeutas) um sentido de esperança do continuar da ação na busca por relacionamentos mais plenos e quem sabe, com frutos tendo maiores chances de gerarem férteis sementes.

Paro e fico pensando nas falas e gestos dos "meus casais e minhas famílias". Lembro daqueles  que se encaminham, passo a passo, no aprendizado do desenvolvimento da habilidade do falar e do ouvir construtivamente. Recordo cada esforço, deles, no sentido do cuidado com suas falas( às vezes conseguindo, outras não) para não mais magoar sensibilidades tão feridas. Presencio, ( me emociono) uma dança, que agora, tem um olhar mais voltado tanto ao conteúdo como com a forma, daquilo que, juntos, querem descortinar.

Observo nesses momentos a importância da intencionalidade básica no entendimento conjunto não só da força das palavras, mas também da atenção do poder à forma como elas  são proferidas.

Em alguns momentos, junto com eles, oriento  o esforço  para falarem mais baixo,ou disciplinarem o constante interromper, ou transformarem palavras mais duras e agressivas em movimentos mais suaves, nem por isso  menos verdadeiros. Observo ainda o cuidado desses casais e famílias à procura de palavras que traduzam seus sentimentos no aprendizado do não reforço ao olhar de acusação do dedo apontado ao outro...

Sinto e fico refletindo como aquelas pessoas, mediante esse caminho, estão trabalhando no fortalecimento do nós, e aprendendo que atitudes hostis não favorecem o amor, mas o afasta.

Vejo também nesse percurso, esses clientes procurando aprender o tom da moderação, que não viaja na acomodação, ou no faz de conta. Ao contrário, percebo neles uma vontade genuína de continuarem nessa "viagem" trabalhando condições à facilitação da harmonização de uma comunicação mais respeitosa, verdadeira e positiva.

                                       Lígia Oliveira- Terapeuta de família e casal

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Sentimento de Culpa




Quantas vezes na nossa vida sentimos culpa?
 
Em alguns momentos, esse sentimento nos aparece como um pequeno desconforto de não termos desejado ou realizado pensamentos e ações adequados, "certos" à nossa consciência.

Em outras ocasiões, o sentimento culposo torna-se um companheiro constante e fica ali nas esquinas da vida, nos sinalizando sua presença, não deixando fluir  vivências importantes no caminho a seguir.

O que fazer para não alimentarmos mais a culpa, como ainda compreender os motivos da sua "instalação" em nós?

Perguntas e uma atenção focada poderão ajudar:
Como foi nossa experiência com a culpa com a nossa família de origem? Como "ela" era reforçada ou evitada?

Em que momentos eu e meus familiares colocávamos mais lenha " nessa fogueira"? Qual a intenção que voce pensa que segurava como pilar esse comportamento familiar? O que hoje voce repete? Faz diferente?

A literatura fala também sobre a culpa ética, a qual nos aponta ações que se realizadas, trarão sérias consequências à nossa vida, vida do outro e  da sociedade.
Aqui falamos da culpa dentro do viés psico- emocional e afetivo, que dependendo da sua intensidade nos impede de viver momentos presentes, por estarmos presos em emoções passadas, ainda não acolhidas, não compreendidas ou não perdoados por nós.

Ao longo da nossa existência é  essencial observarmos que os significados são construídos mediante nossos eu individual, relacional e social.

Assim sendo, olhemos a necessidade de reavaliarmos as possibilidades e limitações referentes à vida lá atrás, como ainda daquilo que queremos nos prover, no momento presente.

Sabemos que existe a culpa excessiva, frutos de uma postura parada na autopunição, baixa autoestima, excesso  de controle, insegurança na delimitação sobre ações necessárias e proibidas(...), que se não compreendidos podem pautar uma vida de sofrimentos e recuos diante de novas situações.

No livro Perdas Necessárias, Judith Viorst, 2005, a autora faz as seguintes observações sobre a culpa,
 que  penso serem importantes refletirmos:
" Nem toda culpa é neurótica. Todos nós sabemos que durante  nossa vida praticamos atos que sabemos moralmente errados. E quando isso acontece a resposta saudável é a culpa. A culpa saudável leva ao remorso, mas não ao ódio por si mesmo( culpa neurótica)  ... A culpa saudável evita a repetição do ato culposo, sem isolar um vasto campo de nossas paixões e prazeres."
Além dessa diferenciação mencionada acima, é significativo que nos façamos perguntas e avaliemos  nossas respostas, ficando atentos para a frequência, a intensidade e a duração da nossa  culpa.

Reflitamos:
O que não quero soltar junto com esse sentimento de culpa? Quais os meus ganhos e minhas perdas?
Por que insisto em me agarrar a essa dor emocional? Para que repito esse comportamento?
O caminho do trabalho da compreensão da culpa, traz momentos nos quais "ela" nos avisa da nossa condição humana, do que necessitamos acolher, modificar,  perdoar, não repetir .É estrada que se anda passo a passo. Dependendo dos passos que dermos, esse percurso poderá nos trazer ações de reconciliação e reparação conosco, com o outro e com o sentido da vida..

                        Ligia Oliveira- Terapeuta de família e casal


sábado, 2 de novembro de 2013

Terapia Familiar Sistêmica: Um Olhar à Prática Clínica



É pertinente a nós terapeutas sistêmicos de família e casal, quando estivermos em frente aos nossos clientes e ao longo dos nosso atendimento, seja esse no consultório e nos momentos de estudo, que façamos a avaliação de como estão nossos recursos.

 De que  forma   empreendemos postura ao desenvolvimento do nosso olhar humano, científico e metodológico?

 Em que proporção compreendemos que como terapeutas, também fazemos parte da história do cliente, enquanto observadores e participantes?

 Como colocar nessa grande roda o entendimento dessas  influências recíprocas?

Carl Rogers fala no seu livro, Tornar-se Pessoa, 2010, que quando no início da sua carreira como terapeuta perguntava-se:

" Como posso tratar, curar ou mudar uma pessoa? Depois ele relata que foi ampliando sua visão na seguinte perspectiva terapêutica: Como posso proporcionar uma relação que essa pessoa( cliente) possa utilizar para seu próprio crescimento"?

O processo de mudança do cliente terá condições de se iniciar a partir do momento que o terapeuta procura, dentro dos seus limites e subjetividade, trazer sua visão para os sentimentos e pensamentos dentro da percepção do cliente. Esse, a partir desse encontro percebe -se mais solto para falar acerca do seu mundo apresentando-o com menos justificativas e defesas.

" Quanto mais uma pessoa é aceita, compreendida, maior é a sua tendência para abandonar falsas defesas para se mover para frente". ( Carl Rogeres)

Permitir ao outro a  oportunidade de experenciar sua própria liberdade interior e seguir em frente com seus ganhos e suas perdas, contribuirá para abrir caminhos à melhoria da comunicação e mudanças. Seguindo esse pensamento, precisamos, enquanto terapeutas, ficarmos atentos para valorizarmos nossos sentimentos tão quanto nossa bagagem teórica, e, propiciar ao processo como um todo, um clima acolhedor  de afeto, calor humano, distante do julgamento, do certo, do errado, do bem e do mal.

É necessário  investir na compreensão dos acontecimentos de uma forma mais ampla mediante estudo dos contextos e das suas influências na historicidade de cada um. Percurso que demanda um olhar cuidadoso e ao mesmo tempo flexível do terapeuta, ao processo, no sentido de vivenciar o distanciamento e a aproximação dos seus clientes, mediante postura que mistura acolhimento, respeito, genuína curiosidade, técnicas, dentro de uma abordagem que visite todos esses espaços de vida , emoção e sentimento.

Aos poucos, clientes e terapeutas vão dando passos na construção colaborativa de mudança e ampliando os seus sentidos de autoria.
Ao terapeuta fica a reflexão de Grandesso, 2000:" Refletir sobre a própria prática é um meio de transformá-la"



                     Lígia Oliveira- Terapeuta de Casal e Família

Obs1- O texto acima teve como base de leitura o Capítulo1  "Esse sou eu"- O desenvolvimento do meu pensamento profissional e de minha filosofia  pessoal' , do livro Tornar-se Pessoa de Carl Rogers, 2010.

Obs2- O texto acima teve como base teórica o capítulo Como Poderei Ajudar os Outros, do livro: Tornar-se Pessoa, CarL R. Rogers, São Paulo:WMF Martins Fontes, 2010.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Terapia Familiar e Perdas






Sabemos que o trabalho da Terapia Familiar tem como objetivo a facilitação da comunicação entre os familiares para a melhoria do compartilhamento das emoções, idéias, ações, criando aos poucos, um espaço relacional mais claro, aberto e oxigenado.

Esse espaço é um local de aprendizagem ao manejo dos afetos positivos e negativos, de forma construtiva, na busca dos recursos que poderão favorecer as condições de superação.
No tocante à Terapia Familiar mais diretamente ligada à grandes perdas, o objetivo se baseia no acolhimento, compartilhamento e compreensão do sofrimento, como meio para aceitá-lo e transformá-lo.
Trabalhamos no sentido de, gradativamente e nos limites e possibilidades dos familiares, irmos investindo nos reservatórios da aceitação e da esperança, através dos recursos que ajudem no processo de continuidade da vida: Procuramos, dia a dia, facilitar condições de transformação da perda em força  familiar.

Froma Walsh em seu livro Fortalecendo  a Resilência Familiar, 2005, faz a seguinte reflexão sobre famílias e perdas:

" A capacidade de aceitar  a perda está no cerne de todas as habilidades nos sistemas familiares. Beavers et. al.(1990) descobriram que em famílias com bom funcionamento, a capacidade de aceitar a mudança e a perda está intimamente vinculada à aceitação da idéia da própria morte...   As famílias que exibem padrões pouco adaptativos para lidar com perdas inevitáveis tendem a se apegar à fantasia e à negação para escamontear a realidade e insistem na atemporalidade  e na perpetuação de vínculos jamais rompidos."

Olhando  para o luto, entendemos que o mesmo precisa ser entendido como uma síndrome, ou seja, a vivência de um conjunto de sintomas e respostas fisiológicas, psicológicas, emocionais, espirituias e sociais que passam por diversas fases, as quais destacamos a seguir:
 Muito sofrimento, desespero, reaçoes de negação, raiva, revolta, isolamento social, culpa, alívio, sintomas psicossomáticos, ambivalencia, medo do amanhã ...Observamos também fases como:
Elaboração de dolorosas lembranças, compreensão e vivência um pouco mais concreta da perda;
Conciliação de um sentido para a perda, para ressignificá-la em um contexto de crenças, descobertas de novos papéis, adaptação gradativa à vida sem o ente querido: Prosseguimento ao processo de continuidade da vida.

Em relação aos modelos de enfrentamento do luto, ressaltamos os principais fatores que poderão contribuir para a experiência do luto de forma mais saudável:
Força do enfrentamento individual e grupal, condições de união e resiliência familiar;
Rede familiar e social de suporte;
Forma de como  o enlutado passou por perdas anteriores, reações emocionais;
Natureza da morte, morte repentina, doença crônica, envelhecimento, perdas traumáticas;
Apoio e base espiritual da família: espiritualidade compreendida de forma ampla, confiança em uma Força Superior que acolhe o pesar e ajuda nos movimentos direcionados à transmutação dessa dor em entendimento gradativo dos caminhos da vida .

A família necessita, conjuntamente, falar sobre suas emoções de maneira mais consciente para o progresso da aceitação da morte. Todos os sentimentos deverão ser reconhecidos e acolhidos, vez que a negação e outros sentimentos negativos podem favorecer reações nocivas aos relacionamentos atuais e futuros, como comportamentos de medo, distanciamento , substituições...
O caminho de recuperação familiar segue dentro de um processo no qual são realinhados relacionamentos e funções que facilitem a vivência do luto como um todo. Torna-se fundamental auxiliar os familiares mais sobrecarregados, dando suporte aos seus tempos e espaços, mediante o investimento na colaboração familiar.
Ir aos poucos olhando de frente a ausência do ente querido, faz gerar um movimento para se encontrar um modo de extrair significado da perda, colocando-a em uma perspectiva mais saudável  e ir em busca de ir em frente com a vida.

                              Lígia  Oliveira- Terapeuta de Casal e Familiar

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

terapiadecasalefamilia: Conversando Com a Vida

terapiadecasalefamilia: Conversando Com a Vida: Olhando para o processo da nossa vida, observamos que, muitas vezes precisamos aprender a encerrar um ciclo para podermos começar, d...

Conversando Com a Vida



      Conversando com a Vida-       www.terapiacasalefamilia.blogspot.com


Olhando para o processo da nossa vida, observamos que, muitas vezes precisamos aprender a encerrar um ciclo para podermos começar, de forma inteira, um outro.

Reflito que é necessário, também, nesses momentos, reverenciarmos a estrada e as vivências passadas, que nos fizeram chegar até onde nos encontramos. Sinto que traz bons fluídos ao nosso viver, o olhar de agradecimento ao percurso anterior, repleto de lembranças, em livres estradas, becos, labirintos... mas também largas avenidas e esquinas de luz. Foi através de tudo isso que escrevemos "nossa páginas" de esperança, realizações, medo, coragem, mágoa, perdão, fracassos e vitórias.

Olhemos ainda para as imprevisibilidades do dia a dia. Procuremos, dentro das nossa possibilidades, compreende-las, acolhe-las e quem sabe aceitá-las; todavia tendo o cuidado para que esse olhar não  acomode nossos pensamentos, sentimentos, atitudes e o passo.
Joguemos fora nossas ações e pensamentos parados no sofrimento, seus excessos, para seguirmos mais leves no novo projeto de nossa vida.

Paremos para refletir:
  
Quem sabe, precisemos repetir para nós mesmos palavras que tem como motivação o texto abaixo:
Não quero mais permanecer, alimentar e depender dessa minha" Caixa Velha". Sei que ela até hoje me deu a base e a segurança e também insegurança para seguir. Quero me apropriar das suas emoções que me fazem ver o mundo de forma mais saudável. Ao restante preciso aprender a me desapegar e também a ressignificar.

Pensamentos " mensageiros" de boas energias nos falam que é preciso rever conceitos, posturas de forma mais desarmada, fortalecer emoções mais construtivas, acolher e compreender nossas emoções destrutivas como legítimas, e, com vontade, colaborarmos para uma transformação possível e não idealizada.

Olhemos para nossa 'Caixa Velha" e possamos sentir, agora, talvez com mais serenidade, que  no caminho construído juntos, é natural que existam pausas, vitórias, recuos, atrasos, descidas e subidas.

Procuremos ainda ir aprendendo que nossa vida nem sempre é uma escolha entre o bem e o mal. Como bem diz Chopra," há de existir uma terceira dimensão onde é necessário trabalhar o equilíbrio entre o bem e o mal". ( temos os dois dentro da gente). Difícil essa viagem, contudo, com condições de "navegação". É essencial que prestemos atenção à vela, aos ventos, à direção e ao "condutor".

Que tal colocarmos nessa nova "agenda" o exercício da sabedoria em discernir os "momentos de deixar para lá" e os "momentos de ir em busca", priorizar a atenção na "lista de coisa a criar, fazer, desfazer e manter."
E nesse movimento, ir jogando fora  as bagagens desnecessárias para que nossa "Caixa Nova", possa nos dar condições de uma vida mais leve, construtiva e feliz.

Reflexão:

Como voce tem olhado para sua "Caixa Velha"?
Qual a sua conversa com ela?

                        Lígia Oliveira- Terapeuta de casal e família e psicanalista.