terça-feira, 3 de junho de 2014

Terapia de Casal e Familiar- A Responsabillidade de Cada Um no Processo da Vida.




São muitas as situações de início da terapia relacional nas quais as famílias e os casais trazem como principais "causadores" dos seus sofrimentos os" outros", ou seja : os acontecimentos de dor nas suas vidas têm como principal "desenho" o dedo apontado para fora.

Enquanto terapeuta familiar e conjugal, respeitamos e acolhemos o olhar dos clientes, e a dimensão do significado do sofrimento para cada cliente.

Aos poucos, e de acordo com a história de cada um, se faz necessário que a pessoa possa ir dentro do seu ritmo e possibilidade, olhando e avaliando  no que TAMBÉM contribuiu para o seu auto- sofrimento.

O olhar mais centrado sobre si mesmo não acontece facilmente. Muitas vezes, esse período da terapia requer paciência e respeito do terapeuta e do cliente, vez que o processo terapêutico requer, para a sua continuidade, que o cliente aprenda mais sobre o seu sentido de autoria.

A terapia familiar e de casal, de  maneira geral, trabalha junto aos seus clientes as influências dos comportamentos individuais e familiares dentro do contexto vivencial.

Para tal é importante que sejam vividas fases nas quais cada membro tome conhecimento de como o  seus comportamentos são entendidos pelos outros,  e  de que maneira suas ações fazem os outros se sentirem e agirem.

Diante desses conhecimentos, cada membro familiar segue na compreensão  dos seus significados e os do grupo, procurando clarificar aquilo que é responsabilidade sua e dos demais, e da forma como essa nova leitura poderá ser ressignificada em favor de um relacionamento consigo mesmo, com o grupo familiar e com o seu cônjuge.

"A premissa da responsabilidade é um primeiro passo essencial no processo terapêutico. Assim que os indivíduos reconhecem seu papel em criar a difícil condição da sua própria vida, eles também percebem que eles,somente eles, tem o poder de mudar sua situação"-   Os Desafios da Terapia- Irvin D. Yalon

Concluo com uma frase que ouvi mas não sei precisar onde:

"SE EU NÃO CONHEÇO A MINHA PRÓPRIA CASA COMO POSSO RECEBER VISITAS"?

                              Lígia Oliveira- Terapeuta de casal e família

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O Caminho do Meio





Quando jovem, muitas vezes, entendia o caminho do meio de forma diferente como o percebo hoje . Achava que era covardia não pular o muro, não tomar partido, ter medo de desenvolver alianças. Sim, era jovem e muito dona da verdade.

 Entendo que essa impulsividade é própria dos que estão desbravando o mundo e a si mesmos. Caminhava dando passos cheios de vida, ancorados no  poder de  querer estar sempre com a razão, e  entendo que muito desse agir viabiliza o que hoje sou. Como tudo, tem os dois lados: o positivo e o negativo. Pode nos fortalecer em determinados contextos e nos enfraquecer em outros.
O prazer também estava presente na vivência sem temores, dos nossos desafios, das nossas defesas, crenças e comportamentos "certos", através dos quais descobríamos e construíamos a vida. Havia momentos que eu fechava os olhos, ficava cheia de medos, me sentia vulnerável, mas guardava esses sentimentos dentro de uma caixa que venho abrindo e clareando até hoje.
Aos poucos, mediante os ciclos da vida,vamos aprendendo, uns mais cedo, outros, tardiamente, a praticar um olhar mais rico em trocas afetivas, e acolhimento, que pode não significar aceitação, das ideias e posturas diferentes das nossas, mas quem sabe, a vivência de uma melhor abertura à reflexão de que o outro me complementa como também complemento o outro, e, que esse dueto faz a vida ficar mais harmoniosa, nem por isso menos criativa.
Importante sabermos o que queremos e  acreditamos em relação a nós, aos nossos projetos e relacionamentos. Essencial também sabermos escolher quais as bagagens de comportamentos  antigos, apoiados na nossa rigidez, nos quais querermos ter sempre a última palavra, que precisamos  jogar fora, ou melhor, reciclar,  para ampliar nossa visão e nosso movimento ao caminho do meio.
Não avalio o caminho do meio como um lugar estreito, apertado, indefinido, ao contrário, quando me sinto nele, de forma refletida, acredito que é um bom lugar de se estar, pois temos a dimensão da gente, do outro, das condições adversas e positivas, dos fatores de risco e proteção...
Assim vou olhando e administrando meu uso de mim mesma, vendo onde preciso me acolher, libertar e renovar.


                                                  Lígia Oliveira- Terapeuta de Casal e Família

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Terapeuta Familiar: Cuidado com Diagnósticos








Como compreender o título acima? 

O que quero falar é  sobre o  olhar terapêutico  realizado de forma isolada, segmentada, sem a avaliação do todo na parte e da parte no todo.

Quantas ocasiões um diagnóstico pode prender o olhar terapêutico dentro de poucas possibilidades ?

Enquanto terapeutas sistêmicos precisamos compreender os clientes ( casal e família) que chegam até nós,  dentro de uma postura mais ampla e inclusiva, tendo o cuidado de não reforçar uma visão monocular.

É essencial que  tenhamos o cuidado com as palavras as quais explicam um comportamento do cliente dentro de uma determinada patologia, todavia não privilegia o todo, o contexto.

Muitos diagnósticos e palavras poderão, se não tivermos uma leitura mais sistêmica, estimular e ou manter características positivas e negativas, trazendo como consequência a não valorização das vivências das mudanças nas vidas das pessoas.

Assim sendo, torna-se imprescindível, que o terapeuta proceda a avaliação das dificuldades e recursos dos seus clientes, aprofundando o conhecimento dos diagnósticos que chegam até eles como por exemplo: "boderlaine" "limítrofe"," hiperativo"... Entretanto, precisa caminhar além dos diagnósticos, uma vez que a terapia relacional tem como objetivo a compreensão da circularidade das relações familiares e conjugais,que traduz um inventário amplo e diversificado dos comportamentos recíprocos das famílias e dos casais.

                         Lígia Oliveira- Terapeuta de casal e família

sábado, 26 de abril de 2014

Trabalhando Nossas Defesas



Um dos comportamentos que muito nos atrapalha no curso da vida é a vivência de um "escudo" muito utilizado por nós: Nossas defesas, as quais, muitas vezes, defensivamente  negamos.
Enquanto negamos nossa atitude defensiva, ficamos paralisados na desculpa e na justificativa, quando procuramos explicar nossos atos: É o outro que não entende, que não fez direito, que coloca defeitos e reclamações nas nossas ações, ou ainda ficamos querendo imitar pessoas que aparecem como ídolos para nós, sem conseguirmos os seus resultados, como também sublimando projetos e sonhos por interesse mais possíveis...

Ok... Quem não tem seus momentos de defesa não é? Afinal nossa matéria prima também é feita de emoção, afeto, medo,sentimentos. "É importante observar que nem Freud nem seus seguidores acreditavam que o emprego dos mecanismos de defesas era, necessariamente, patológico. Pelo contrário, todos nós  os utilizamos; não poderíamos levar a vida sem eles. Esses mecanismos só se tornam um problema, ao serem utilizados pelo ego de forma excessiva ou inflexível" ( Freud Básico,Michael Kahn, 2005).

O padrão defensivo  falado aqui é aquele que impede ao seu"portador" uma visão melhor das suas responsabilidades afetivas, emocionais, relacionais, se baseando em respostas infantis, criando um distanciamento a um olhar mais amadurecido.
Se pensamos em crescer emocional e relacionalmente, precisamos nos movimentar alternando passos que criem distancia do polo das atitudes defensivas constantes.
Nessa postura, é necessário que exercitemos uma maior abertura conosco e com o próximo,e olhemos  como expereciamos nossas vivências positivas, negativas, infantis, amadurecidas, de sucesso, de fracasso, trazendo-as, aos poucos, para uma perspectiva mais consciente. Para tal, necessitamos de mais auto-reflexão, auto-conhecimento e em situações mais específicas, de ajuda profissional.

Reflitamos:
Quando sinto, lá dentro, que meu comportamento não está sendo bem olhado por mim mesmo e esconde, ou protege uma atitude de negação, repressão, projeção? Isso acontece frequentemente?
Quais as minhas potencialidade e possibilidade que estou jogando fora, quando insisto em não querer"encarar"minhas defesas conscientes, as quais obedecem a comandos inconscientes?
O que poderia "soltar" e trabalhar para seguir por caminhos mais leves e mais serenos?

Sabemos como o tema sobre Mecanismos de Defesa é complexo. Minha intenção é falar sobre o assunto tentando "tocar" as pessoas, no sentido de podermos prestar mais atenção quando"sentimos"
que estamos nos fixando em desculpas, negações, sublimações, repressões diante dos acontecimentos da vida.Ou seja, àquelas pessoas que já estão mais despertas emocionalmente. Que começaram a andar dando um pouco mais de foco ao sentido da vida afetiva, emocional e espiritual pois querem continuar essa caminhada.

O ego diante de situações ameaçadoras de ansiedade, angústia, utiliza os mecanismos de defesa, como proteção do sofrimento. Essa resposta tende a ser mais excessiva nas pessoas menos amadurecidas emocionalmente.Esse comportamento poderá impedir a compreensão do sofrimento, como também a busca sadia das suas alternativas de solução, podendo trazer a vivência de patologias psicológicas.


Para um rápido entendimento sobre os  Mecanismos de Defesa trazemos  um breve resumo sobre cada um deles. (Sabemos da necessidade de aprofundamento para um concreto entendimento do assunto). Avalio que o resumo é bem claro e traz exemplos concretos.   O resumo a seguir foi apresentado em um artigo da psicoterapeuta Marilene Henriques Teixeira Netto: http://artigosdepsicologia.wordpress.com:

Racionalização:

A pessoa encontra respostas lógicas, tentando afastar o sofrimento.

Identificação:

O indivíduo assimila alguma característica de outra pessoa, adotando-a como modelo.

Repressão:

Ela afasta da nossa consciência uma idéia ou um evento que poderia causar ansiedade. Esse conteúdo reprimido no entanto, não é eliminado e continua no inconsciente. O resultado seria algumas doenças psicosomáticas que poderiam estar vinculadas à essa repressão, tais como: asma, artrite, algumas fobias , frigidez...

Negação:

Quando ocorre algo que nos incomoda profundamente, há a tendencia de não aceitar esse ocorrido, ou lembrá-lo de modo incorreto.Podemos fantasiar também o que houve, na tentativa de distorcer e minimizar assim, o impacto do evento.

Formação Reativa:

Há uma inversão do desejo que é ocultado. Uma pessoa por exemplo, extremamente rígida em relação a moral ou sexualidade, pode estar ocultando seu lado permissivo ou imoral.
A pessoa justifica,explica e tenta de certa maneira usar a lógica para disfarçar os verdadeiros sentimentos. Aquilo que não é facilmente aceito, é "explicado" numa tentativa de tornar o indivíduo mais conformado diante de determinado fato.

Projeção:

Quando o indivíduo coloca no outro, sentimentos, desejos ou idéias que são dele próprio. Esse mecanismo ajudaria então a lidar de maneira mais fácil com esses sentimentos. A dificuldade em admitir determinadas 'falhas" em nossa personalidade seria projetada no outro.

Regressão

Quando a pessoa, vivendo uma difícil realidade, retorna à atitudes anteriores. O indivíduo busca uma
situação ou comportamento mais infantil. A criança pode voltar a esse estágio quando nasce um irmãozinho, voltando à chupeta ou mamamdeira.

Deslocamento:

Ao invés de agredir determinada pessoa( um chefe por exemplo) a agressão é direcionadda a um colega ou a um subalterno.

Introjeção:

O indivíduo toma para si características de outra pessoa. É comum ver adolescentes introjetarem características de seus ídolos.

Sublimação:

O impulso é canalizado a outros interesses. A impossibilidade de ter filhos por exemplo, é sublimada pelo afeto a bichinhos de estimação, cachorros , gatos, etc..


É importante entendermos que é natural a utilização de alguns comportamentos defensivos na nossa vida como respostas a quadros de dor, ansiedade, medo...
O que precisamos ficar atentos é quando os comportamentos acima citados fazem "morada" em nós nos adoecendo, de quando, apenas, nossas defesas, estão  dando uma trégua para tomarmos um fôlego, para depois irmos em frente em busca de atitudes de maior crrescimento.

                              Lígia Oliveira-Terapeuta de Família e Casal

segunda-feira, 31 de março de 2014

Adoção / Revelação

Ilustração do blog Filhos Adotivos

Lembro-me de um caso atendido por mim e equipe o qual trazia como demanda a preparação da família para a revelação da adoção da filha caçula.

Trabalhamos, anteriormente, com o casal e família por um ano e cinco meses, vez que os mesmos passavam por conflitos conjugais e familiares.

Podemos dizer que o processo terapêutico foi muito precioso no que podemos avaliar como trocas, e aprendizado para ambos os lados: clientes e terapeutas.

Após dois anos retorna a família, já ampliada com a chegada de mais um membro, uma menina que foi adotada ainda recém-nascida.,e gestada afetivamente pela família.    

A demanda familiar, para a terapia era trabalhar as condições da revelação da adoção pela família da filha caçula.

Entediámos que  temas relativos ao contexto familiar e conjugal também precisavam ser observados e compreendidos, assuntos  esses, conversados conjuntamente.

Dentre atividades e reflexões trabalhadas entre clientes e equipe terapêutica podemos trazer  o cuidado voltado ao entendimento do quando e do como fazer a revelação.

Assim sendo, construímos juntos uma revisão teórica dos estudos e práticas acerca dos estudos sobre o tema, vivendo momentos de emoção e de colaboração conjunta sobre o que avaliávamos como afetivo e saudável a ser conversado.

Trago  um pequeno resumo do que foi vivenciado,  a princípio de forma teórica, mediante conversas e reflexões, idas e vindas. Essa vivência trouxe a base para as ações familiares.

Revelação ao filho da sua adoção:  Assuntos gerais  que demandam uma compreensão sistêmica acerca do contexto familiar:

A revelação não é um ato único. É um processo importante, e, os pais e toda a família precisam se preparar para essa vivência.

Os estudiosos reforçam que a revelação, quando feita com a criança ainda pequena, entre dois e tres anos, é mais benéfica e não exigirá maiores detalhes.

À medida que o filho cresce, virão outras perguntas e, aos poucos, os pais poderão ir falando de forma mais gradativa e adequada ao momento da criança e familiar.

Os pais necessitam estar cientes e preparados para serem interrogados. Por essa razão deverão conversar sobre a forma, conteúdo e contexto no qual farão a revelação.

A orientação de estudiosos e clínicos é que a revelação seja feita com segurança, naturalidade, transparência e verdade. Não precisa ser um momento formal, pesado. Deve-se aproveitar uma oportunidade, por isso, a necessidade de uma planejamento anterior. Essa ação tanto dará mais segurança aos pais como também não gerará ambivalência e desconfiança  no filho.

É essencial que a revelação seja feita, conjuntamente, com o pai e a mãe presentes.

É importante que as perguntas sejam respondidas dentro da curiosidade da criança: Responda apenas o que ela está perguntando. É imprescindível que falem a verdade e que toda a família fale o mesmo texto, em função de  a criança ter confiança naquilo que escuta para não criar fantasias desnecessárias. Haverá muitas ocasiões onde a criança irá pedir o FAMOSO CONTA DE NOVO.

Deve-se ter o cuidado para que o momento da revelação, seja  em um período no qual a família ou a criança não estejam passando por crises.

Os pais precisam ter a atenção em  não estabelecer competição entre as duas famílias: Família boa e família ruim.

Cuidado com as distorções da verdade, ou seja, falar fatos que não aconteceram. Caso não saiba de maiores detalhes, repasse essa informação ao filho, e, procurem dentro da motivação do filho, pesquisar sobre a sua origem biológica, indo aos poucos,vendo como pode complementar a sua história.

Os pais naõ devem deixar o filho sozinho após a revelação para que a criança não se sentir abandonada. Todavia, se  o filho quiser ficar sozinho, respeitar.

O filho tem direito a saber sobre sua história biológica.

Quanto mais tarde a revelação, mais chance de disfunção.

Dificuldades podem surgir mais pelo não dito do que pelo revelado.  O não dito poderá ser compreendido pelo filho com traição e quebra de confiança dos pais.

A verdade não machuca quando é dita de uma forma cuidadosa, planejada, inteira,  carinhosa e acolhedora



                       Lígia Oliveira - Terapeuta de casal e família

Obs- O texto acima teve como base de leitura livros do psicólogo, pernambucano, grande estudioso em Adoção, Luiz Schettini:

                                    Compreendendo o filho adotivo
                                    Adoção os vários lados da história
 




















sábado, 29 de março de 2014

Terapia Familiar e de Casal- Refletindo Juntos

 



 Leitores e clientes me pediram para eu trazer,  junto com os textos do blog,  momentos de reflexão mais direcionados à prática.

Gostei da ideia e selecionei alguns recortes dos registros de sessões entre casais e famílias.


Abaixo, peço para que você leia os pensamentos e, por ordem de prioridade, escolha aqueles mais significativos para sua vida.

Vamos lá:

   A qualidade do nós é a base de qualquer relacionamento.

  Quando nos dispomos a ser também responsável pelas dificuldades, ampliamos nossas possibilidades de     solução.

   A escuta é do outro é muito difícil porque implica em fazer silêncio dentro da gente.

   Em toda relação a pessoa tem mais chance de crescimento quando se sente primeiro, compreendido e respeitado.
  
   A mudança não pode ter como base a manipulação e o desrespeito.

   Muitas são as situações nas quais estamos passando por dificuldades e que colocamos como foco central,  apenas os problemas. Diminuímos, com essa postura, as nossas possibilidades. como foco central.
  

   Nossos principais bloqueios resultam das nossas certezas "absolutas". Precisamos olhar, com mais atenção a rigidez dos nossos pensamentos.
 

   Reorganização interna repercutirá em mudança de comportamento, tanto nossa como daqueles que conosco se relacionam. Ninguém muda ninguém. Mudamos no encontro.

    Quais as minhas heranças familiares que quero alimentar e as que quero rever?


   A todos os clientes que me deram a oportunidade de tão rica reflexão, o meu agradecimento.


            Lígia Oliveira- Terapeuta de família e casal
    
 
  

quarta-feira, 12 de março de 2014

Vivendo Uma Função Materna Saudável





Winnicotti, psicanalista inglês traz na sua teoria um termo curioso sobre à maternagem: "Mãe Suficientemente Boa", o qual pode ser compreendido como aquela mãe que  desenvolve suas funções maternas dentro de um equilíbrio de ações mentais, afetivas ,psicológica, emocionais..
.
Quais seriam essas condições?

O relacionamento mãe e filho requer diversos fatores, papéis e funções da mãe, que tanto poderão trazer conforto emocional para ambos, como também serem vivenciadas experiências que reforcem comportamentos doentios.

Sabemos que as famílias tem suas singularidades, seus contextos específicos, valores, crenças etc.
Todavia, entendemos que alguns fatores  são básicos em relação ao provimento saudável das condições de relacionamento entre mãe e filho.

Destacamos abaixo algumas condições para que essa "mãe suficientemente boa"desenvolva  um sadio crescimento do seu filho e do relacionamento mãe e filho.

Quais as estradas que essa mãe precisa seguir?

Apresentamos, abaixo, alguns passos essenciais  que a mãe necessita  caminhar para o sadio desempenho da função da sua maternagem:

- Prover seu filho de forma afetiva e efetiva  das suas necessidades físicas, psicológicas,mentais, e afetivas;
- Possibilitar um colo e uma presença adequados, ou seja:" emprestar o seu corpo", temporariamente, pelo "encaixe" dos corpos de ambos, reforçando esses cuidados quando segura o filho no colo, o amamenta,    embala-o, troca as suas roupas, dá banho...
- Procurar decodificar a linguagem corporal do seu filho, através da qual o filho se comunica com ela.Ex: O choro pode ser fome, sono, dor, birra...
-  Integrar a sua  vivência com a do filho, mas também experienciar a necessidade de estar ausente, trabalhando essas condições gradativa e adequadamente;
- Exercitar o aprendizado de saber quando e como frustrar e quando como gratificar o filho corretamente, vez que ensinar ao filho a lidar com as frustrações, de forma sadia, é uma condição essencial ao crescimento global do ser humano;
Nesse item é importante observar que o aprendizado com as frustrações requer entender que a mãe não deve nem gratificar demais nem frustrar de forma excessiva;
- Favorecer ao filho condições à externalização e compreensão das suas angústias, desejos, necessidades, ataques agressivos, medos, alegrias, teimosias, decodificá-los e ajudar ao filho a ir entendendo suas emoções, comportamentos, focando suas possibilidades e limites;
- Observar que a mãe é para o filho como um espelho, como diz Winnicott(1967)"O primeiro espelho da criatura é o rosto da mãe, seu olhar, seu sorriso, expressões faciais".
- Ficar atenta  a imagem que ela faz do seu filho: das suas capacidades e dificuldades, seus potenciais e limites, pois essa compreensão torna-se -á conteúdo significativo da imagem que seu filho terá de si mesmo;
- E essencial que a mãe compreenda que a valorização que ela dá ao pai do seu filho, será a valorização que seu filho repassará à figura paterna.

Uma saudável maternagem exige que a mãe invista, sabiamente, em seus passos de aproximação e distanciamento, mediante comportamento de abertura aos caminhos do seu filho, para a entrada do pai, através do trabalho da valorização e respeito das figuras parentais.

"Assim sendo a criança adquire a capacidade de reconhecimento da existência de terceiros, o que propicia a importante transição de um estado de narcisismo,( olhar e amor só para si) para o de socialismo( aprender a interagir e valorizar o outro)".

               Lígia Oliveira- Terapeuta de casal, família e psicanalista.
Obs: Base de leitura:
Zimerman, David- Fundamentos Psicanalíticos- Teoria, técnica e clínica-- Capítulo 7- O Grupo Familiar: Normalidade e Patologia da Função Materna.