quinta-feira, 28 de maio de 2015

Convivendo Com a Raiva






Ouvi certa vez em um filme, que não me lembro o nome, uma conversa entre pai e e filho que  falava sobre a utilidade da raiva. Fiquei pensando como na minha vida essa citação, poucas vezes,  foi realidade. A raiva tinha para mim um gosto abafado, proibido e contido.  Penso que talvez por não querer ver, que a raiva mais genuína era direcionada para o meu jeito medroso  de entender essa minha emoção.


Atualmente,  percebo que sentir raiva pode ser vulnerabilidade, mas também força e coragem. Nos momentos raivosos nos sentimos limitados, contudo, também cheios de uma energia intensa.  Essa  energia bem administrada facilitará condições  à solução de impasses, que se não resolvidos gerarão uma estrada prolongada de ressentimento e   nos paralisar na vivência do rancor.


Importante ainda, quando da vivência do sentimento da raiva, entendermos o que essa emoção diz da gente: Se estamos engolindo muitos sapos, se os sapos são menores ou maiores do que pensamos, se esse sentimento é direcionado àquele momento,  ou se  é decorrência de vários motivos guardados.  Como estou "guardando" essa raiva? Sou pouco amadurecido e cheio de melindres? O que estou querendo negar, abafar e pedir quando expresso ou escondo minha raiva ?Será  que a pessoa a quem eu direciono essa emoção está pisando no meu pé, já faz tempo, ela não sente, ou não quer sentir e eu preciso reagir para que ela perceba?

Outro viés pelo qual precisamos olhar para a raiva é  nos perguntando o que  queremos controlar e não estamos conseguindo? Como compreender que o excesso de controle  despertará sentimentos de frustração e mágoas, funcionando como um gatilho para sentimentos raivosos?

Sabemos que esses sentimentos são respostas naturais e até saudáveis e podem significar protesto, indignação, impotência,  agressividade, descontrole, frustração, ação, reação...

Quando voltamos nosso olhar ao processo humano de amadurecimento podemos empreender um esforço no sentido de saber reconhecer os passos que necessitamos caminhar para a compreensão da raiva que impulsiona para ação criativa, assertiva a um melhor conhecimento de mim, do outro e das situações,  daqueles passos que nos aprisionam numa visão de túnel onde todos os outros lados estão encobertos por uma visão que consideramos como verdadeira  e única: nossos motivos raivosos. Nesse caso não seria delegar ao outro por quem nutrimos essa emoção o poder de gerenciar nosso pensamento, nosso sentimento e uma boa fatia das nossas ações?

Obs- Importante refletir que o sentimento da raiva, em algumas situações, pode alimentar emoções e ações que trazem consequências negativas, até mesmo devastadoras. Assim sendo, faz-se necessário um observação atenta em separar o sentimento da raiva que destrói e adoece,  daquele sentimento raivoso que  na sua essência traz uma energia criativa, positiva e saudável .

Reflexão:
Quando voce direciona sua raiva para alguém  o que percebe que direciona para voce?
Em que momento voce entende que a raiva pode ser útil?

                                                        Lígia Oliveira-Terapeuta de família e casal

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pai e Mãe : O Papel das Frustrações na Educação dos Filhos / Um pouco da Teoria Psicanalítica





Observando a relação mãe/pais e filhos entendemos a necessidade de uma compreensão, de forma geral, do papel das frustração na nossa vida. Esse olhar nos leva a compreensão de uma das funções essenciais da mãe, e por que não paterna, no sentido de ajudar ao filho no entendimento de como experenciar de forma saudável suas frustrações.

É fato que as frustrações são muito presentes durante todo o decorrer  da vida. Vemos como elas são indispensáveis ao desenvolvimento afetivo, emocional,cognitivo, social...

Todavia, é preciso atenção   no sentido dos pais avaliarem  como essas frustrações  podem ser vivências adequadas ao crescimento ou terem conteúdo e dinâmica patogênicos.

Assim sendo, as frustrações se mostram nocivas à pessoa na medida em que  podem ser evitadas pelos pais, sem prejuízo para nenhuma das partes, e não são; quando são demasiadamente escassas e exageradas, ou ainda, continuamente, incoerente, ou seja como diz o psicanalista David Zimerman: "gratificar rápido demais estimula a simbiose ( excesso de ligação/mãe/filho); gratificar lento demais  gera protesto porque é vivido pelo bebe como frustração."

As experiências da frustração podem  ser adequadas quando são necessárias ao aprendizado da criança e reforçam condições à estruturação sadia da personalidade. Contudo, também podem ser  inadequadas e desestruturantes.

Segundo Zimermam, pag. 108 e 109, no seu livro Fundamentos Psicanalíticos, as frustrações inadequadas tem origem numa dessas três possibilidades:

" São por demais escassas, em cujo o caso, a mãe tende a resolver todas as necessidade e desejos da criança, antecipando-se à capacidade dessa de poder pensar para achar soluções para os problemas criados. Assim,  a mãe não só inibe no filho, a capacidade para pensar, como também, ao mesmo tempo, ela reforça, excessivamente, a onipotência  e a vigência do " princípio do prazer.

Quando são continuadamente exageradas, tanto na intensidade como numa possível quantidade de injustiça contra o filho,essas frustrações geram na criança um sentimento de falta de autonomia, raiva, ódio intenso, ansiedade...

As frustrações incoerentes que provocam na criança um estado de confusão, instabilidade, e permanente sobressalto quanto à reação dessa mãe enigmática"

 Concluindo, Zimerman pontua sobre essas três formas patogênicas de educar os filhos: severidade excessiva, indulgência excessiva e incoerência nas atitudes dos educadores, reforçando a pior de todas que seria a indiferença pela criança.

Enquanto pais, educadores e terapeutas  reflitamos acerca de como podemos desenvolver nos nossos filhos, educando e pacientes, atitudes mais saudáveis no aprendizado da vida.
         Lígia Oliveira- Terapeuta de família e casal e psicanalista em formação.
  Base de estudo:David Zimerman: Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, Técnica e Clínica

terça-feira, 19 de maio de 2015

ALIENAÇÃO PARENTAL


ESCOLAS COMO FACILITADORAS DA ALIENAÇÃO PARENTAL

 

                                                                                                                                                      

Ednalda Gonçalves Barbosa*
 

Nos últimos anos muito se tem falado sobre o fenômeno da alienação parental, prática esta ocorrida geralmente após rompimentos conjugais, onde os filhos são envolvidos nas querelas parentais e passam a ser usados como instrumentos de vingança direcionados ao genitor não guardião.

 

A vasta literatura que versa sobre o assunto dá conta de que se trata de fenômeno que transcende barreiras de raça, gênero, religião, classe social, nacionalidade, etc., numa infeliz constatação de que crianças e adolescentes são revitimizados constantemente por aqueles que deveriam ser os principais promotores de seu bem estar.

 

Aproveitando este sábado, 25 de abril, eleito como Dia Internacional de Combate à Alienação Parental, exponho minha intenção de trazer para o debate reflexões acerca da participação de atores externos à família, que podem colaborar na perpetuação do fenômeno em discussão.

 

No exercício profissional cotidiano, tenho me deparado com situações onde identificamos a participação de escolas, agindo de maneira por assim dizer “desavisada” e que reforçam comportamentos considerados alienantes, a saber: não inserção do nome e demais dados referentes ao outro genitor na documentação escolar; envio de comunicação apenas ao responsável pela matrícula; aceitação de argumentação do guardião relativa à proibição de acesso do genitor não guardião no ambiente escolar, etc.

Felizmente essas e outras condutas foram levadas em consideração na Lei da Guarda Compartilhada recentemente aprovada, de modo que a possibilidade de implementação de multas às escolas foi instituída. Tal mecanismo visa, no meu entender, servir de alerta para que as escolas não sejam coparticipantes na perpetuação da Alienação Parental.

 

 
  • Assistente Social e Terapeuta Familiar do Tribunal de Justiça de Pernambuco.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Eu Comigo Mesma



Eu Comigo Mesma

Hoje ao acordar, em função de um sonho, não muito bom, que eu tive, revivi lembranças de conversas  repetitivas que tenho comigo mesma.

Fiquei refletindo:

Quantas são as vezes que ficamos aprisionados no passado e consciente ou inconscientemente,  não queremos nos soltar dessas amarras?

Essas lembranças retornam, de vez em quando, e parecem nos dizer : OLHA PARA"ISSO" MENINA!.  Todavia, logo mais adiante esquecemos  essas sábias palavras e colocamos no "outro" o movimento que trará como resultado nossa liberdade?

Que liberdade é essa? 

Chamo essa postura de cegueira adquirida por não querermos olhar para dentro: Só farei isso se alguém fizer aquilo, ou quando aquela pessoa se comportar diferente ...me pedir desculpas, vier falar comigo,ou até mesmo não falamos nada, na esperança,( ou seria desesperança?) de que o outro adivinhe nossos desejos...

Convoco todos que assim se sentem a se comportarem e a entrarem  nos seus/nossos sentimentos na procura da compreensão do que eles estão a  nos dizer e as chances  que eles estão a nos oferecer. 

Compreendo que nesse percurso há  momentos de raras oportunidades para um aprendizado mais genuíno e inteiro, da gente com a gente mesmo, com nossos familiares, amigos...

O presente está acontecendo agora... O futuro está nascendo já, já  O passado tem muita lembrança boa, mas também as ruins que  ficam batendo na nossa porta, tomando a forma de mágoas, ressentimentos, dores...sequestrando nosso ser, nos intimando a favorecer atitudes ressentidas, mesquinhas, infelizes.

Hoje, vou aos poucos, olhando para esse lado meu, conversando com ele, mas também respeitando os meus limites que são ainda maiores do que eu pensava.

Nesse momento procuro ir exercitando a compreensão que para sermos mais felizes, precisamos de " desistir de  ter um passado melhor."( Irvin Yalom) e seguir na elaboração do presente, quem sabe de maneira mais leve, mais real e não por isso menos feliz.

     Lígia Oliveira- Terapeuta de família, casal e psicanalista.



terça-feira, 21 de abril de 2015





PARALELO ENTRE A PSICOTERAPIA BREVE PSICANALÍTICA E A PSICANÁLISE CLÁSSICA

Na busca da compreensão da Psicoterapia Breve Psicanalítica (PB) com o objetivo de estabelecer onde a PB dialoga ou se distancia da Psicanálise Clássica precisamos saber que a Matriz desse entendimento passa, inicialmente, pelo estudo da Psicanálise Clássica: seus pressupostos, fundamentação teórica, metodológica e prática, conhecimento básico para o profissional que trabalha o ser na sua dimensão psicológica, afetiva, emocional e  comportamental.

Para a realização desse trabalho utilizei como fonte o seminário apresentado pelo professor Dr. Fabiano Costa sobre o tema, e o livro de Haydée C. Kahtuni, que tem como título Psicoterapia Breve Psicanalítica, compreensão e cuidados da alma humana, 1996.

“A psicanálise freudiana tem como objetivo maior “fazer consciente o material inconsciente reprimido ou recalcado.” (Primeira Tópica, pag. 63). A partir da Segunda Tópica o olhar de Freud ao paciente desenvolve como meta norteadora a “ampliação dos limites do ego” (pag.63). Para o desenvolvimento desse caminho de exploração do ser humano será necessária uma busca atenta e minuciosa dos conteúdos, sentimentos e comportamentos para o qual não são eleitos temas principais nem período determinado de tempo. O trabalho terapêutico na psicanálise clássica vai sendo experenciado e desenvolvido mediante o ritmo do paciente, aos poucos.

O principal objetivo da PB tem como pilar o esclarecimento ao paciente da “natureza dos seus conflitos atuais”. (pag.63)
Observamos que na PB também “se busca a ampliação e a organização do ego”. Entretanto, uma das características mais importantes é a delimitação de um foco, segundo o qual serão estabelecidos os objetivos terapêuticos dentro de um planejamento da duração de um prazo determinado para acontecer.
Na PB os objetivos são atingidos quando os sintomas representativos dos conflitos atuais são solucionados. Ou seja, a PB procura capacitar o paciente a resolver seus conflitos atuais da melhor forma possível.

De maneira geral, para uma maior compreensão, vejamos os principais itens relacionados à Psicoterapia Breve Psicanalítica e a Psicanálise Clássica:

- Quanto ao foco:

A PB determina junto ao paciente um foco, um mapeamento urgente dos sintomas gerados pelos conflitos vivenciados naquele momento. Explora o material a ser trabalhado, temas advindos do polo emergencial do paciente, das suas situações de crise, realidades presentes.
Em relação à duração a PB pode durar horas, dias, semanas, meses e poucos anos.

A Psicanálise Clássica não trabalha com uma postura terapêutica junto ao paciente com limites em relação à duração do tratamento, podendo esse se prolongar por anos a fio.
 O tratamento é vivenciado dentro de uma abordagem ampla sendo o material terapêutico todos os assuntos trazidos pelo paciente. Assim sendo não delimita tempo ao tratamento.

- Postura do terapeuta e abstinência do analista:

Na PB o terapeuta é mais comunicativo, ativo, diretivo podendo fazer uso de sugestões e ordens tais como: vá por esse caminho, faça dessa forma...
Diante de tal comportamento profissional, observamos uma quebra na postura da abstinência do analista.

Na Psicanálise Clássica o analista traz como postura atitude baseada na regra da abstinência terapêutica liberando o paciente para falar o que ele quer, sem sugestões ou comandos.
O profissional tem como preocupação a ampliação das demandas do paciente, intervindo pouco, mas favorecendo bem a busca dos conteúdos e sentimentos, dos seus conflitos primitivos, procurando explorar como esses podem está reverberando no presente e poderão influenciar o futuro.

- Atenção do profissional e associação livre:

Na PB a atenção do terapeuta é direcionada, focal, aos temas eleitos como principais, havendo um corte seletivo aos temas não escolhidos, pertinentes à crise.
 Esses outros temas são deixados de lado no início do processo. Desta forma percebe-se que a PB não faz uso da regra fundamental da Psicanálise Clássica Que é a associação livre de ideias.


Na Psicanálise Clássica o analista desenvolve a atenção flutuante (não focal), levando o paciente ao desenvolvimento da associação livre de ideias (método básico da Psicanálise Freudiana) mediante uma escuta não seletiva, atenta a todas as falas, silêncios, gestos e sentimentos expostos pelos pacientes.

- Transferência e flexibilidade:

A PB trabalha com a transferência do paciente de forma mais flexível mediante pontuações e leituras desses processos transferenciais. O profissional, muitas vezes se coloca no lugar do paciente, o qual poderá sentir o terapeuta como um amigo. Havendo necessidade a PB poderá se utilizar de  outras  técnicas e abordagens terapêuticas.

A Psicanálise Clássica observa a transferência do analisando e vai trabalhando internamente, até que o paciente no seu ritmo vá explorando e quebrando essa transferência. A postura do analista também não é muito próxima, é mais distante.

- Uso do divã:

A PB se utiliza da conversa olho no olho entre o analista e o analisando, vez que não tem como objetivo acessar conteúdos regressivos primitivos, como ainda o olho no olho auxilia ao profissional na leitura mais direta: dos gestos, expressões faciais, de conforto, constrangimento, alegria, dor...

A Psicanálise Clássica utiliza o divã como um recurso que irá facilitar o relaxamento maior do paciente, a estar ele com ele mesmo, sem a interferência do olhar face a face com o analista.
O uso do divã também traz como recurso a não visão de algum gesto do analista que possa influenciar o processo do paciente nos seus processos inconscientes.

- Momentos de crise aguda do paciente:

Na ocasião de uma crise aguda, muitas pessoas têm suas defesas rebaixadas em função de se encontrarem necessitando de uma ajuda mais rápida. Dentro dessa perspectiva, o paciente tem uma maior chance de vivenciar um vínculo positivo com o profissional e conseguir a melhora da crise dentro de um menor espaço de tempo.

 Freud não orientava a Psicanálise Clássica aos pacientes em crise aguda, trazendo a explicação de  que o paciente nesse momento ficava refém das suas “realidades penosas”; por consequência o paciente iria se retrair em vez de se soltar.

- Observações importantes:

- O principal sujeito do processo terapêutico é o paciente o qual é o responsável pela “permissão para que o analista junto com ele prossiga ou não no estudo do seu terreno psíquico”.

- Braier( 1986)nos traz estudos onde observou profundas modificações nos pacientes advindos da PB “ sem que esses tivessem elaborado as raízes dos seus problemas”. Diante desses estudos pode-se dizer que a PB “poderá atuar como agente sensibilizador para a base de um tratamento analítico posterior”. Sabendo-se que essa “passagem” deverá ser cuidadosamente vivenciada pelo par analítico.

A PC reforça o entendimento do efeito “carambola”, vez que ao resolver um problema central, agudo, favorecerá condições e repercussões positivas em outros comportamentos, por ter diminuído a ansiedade maior naquele momento do paciente.

Finalizando, é essencial que entendamos que o olhar do analista deverá ser aprofundado em relação à forma como esse deverá proceder quanto ao estudo e a escolha da abordagem terapêutica direcionada ao seu paciente.
Para tal  o psicanalista, deverá investir em uma leitura  criteriosa levando em conta a singularidade, a história de vida, e  o contexto no qual seu paciente  se encontra.


   Lígia Oliveira - terapeuta de casa, família e psicanalista                   

sexta-feira, 3 de abril de 2015

COMENTÁRIOS DE LEITORES

  1.            
  2.           Comentários sobre o texto: Amor mais concreto e visível - 
  3.            Mircia Sá Carneiro:
  4. Como vc após a leitura fiquei a me perguntar como será esse amor concreto e visível?Lembrei-me de um poema de Clarice Lispector que diz:" O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importa as dores, as angústias, as decepções que eu vou ter de encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho o abraço é apertado,o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir e te desejar o bem.É só assim que eu acredito que valha a pena viver".
    Me identifico bastante com esse poema,principalmente quando diz que " amar é uma escolha de vida"..Não entende amor como concreto/abstrato, mas como VIDA, e sendo assim vivido no sorriso, no olhar,em pequenos gestos e atitudes que temos com todos que compartilham ou não nossas vidas. Podem em alguns momentos trazer dor e sofrimento, mas não podemos nos abater pois fizemos a escolha de VIVER/AMAR.
    bEIJO, Mírcia
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  5. Oi Mírcia,

    Fiquei curiosa em saber o que a moça do texto sentiria ao ler a sua resposta.
    Eu daqui fico torcendo que VIVER /AMAR,sempre ande de mãos dadas com os diversos ciclos da vida.
    Bjs, Lígia
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  6. A frase da moça me toca profundamente, talvez por motivos diferentes. Penso que ela fala do amor para o casal, entre o casal. Neste sentido, acredito que o amor visível e concreto é aquele que se materializa no cotidiano, nos gestos. É como se não bastasse amar. É necessário que o amor esteja expresso no que se diz e, sobretudo, no que se faz. Concordo que amar é uma escolha. Mas acho que é uma escolha cotidiana. É como se todos os dias você acordasse e, com gestos (às vezes, grandes; outras vezes, pequenos), renovasse a escolha de amar. Isso me faz pensar que, além da poesia, o amor tem que caminhar com uma certa dose de racionalização, de pé no chão. Como algo que não é incondicional. Que, se não for cuidado, pode morrer. Ouso até dizer (porque é muita ousadia fazer isso diante de uma especialista no assunto) que o amor não é suficiente para manter uma relação. Agora, em um sentido mais geral, concordo com o comentário acima, que coloca o amor como uma escolha de vida. O amor não como algo que você vai encontrar ou viver. Mas como óculos. Como pele. Como algo que a gente é. E ao sermos juntos, como algo que nos une a um parceiro, a outras pessoas e ao mundo.

    Muito gostoso o papo por aqui. Seguimos conversando! Um beijo!

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  7. Oi Edna,

    Amor com óculos. Gostei da metáfora. Penso que pode se transformar em um instigante texto:Óculos de grau, escuro, com armações discretas e também bem coloridas, com lentes bifocais ou monofocais...
    Sinto que é preciso ação, gesto afetivo que nos digam: estou aqui, é pra voce( cuidado...)
    Sinto também que é preciso o pé no chão... Vamos ensaiando os passo para ver o que será.
    bjs, Lígia

segunda-feira, 23 de março de 2015



A CONTRIBUIÇÃO DA VIDA E OBRA DE DR FREUD PARA  A PSICANÁLISE- TEORIA TOPOGRÁFICA.

Estudar sobre a vida e a obra do Dr. Sigmund Freud é adentrar na dinâmica dos seus processos individuais, relacionais, profissionais...  Nesse percurso, observamos como essas histórias acontecem mediante movimentos de integração e complementação.

Contextualizar esse estudo tendo como referência a Teoria Topográfica nos remete à compreensão de passos fundamentais à formação da teoria e prática psicanalítica.

Desde criança Freud mostra-se motivado às descobertas e o seu espírito de grandeza foi muito incentivado pela família, principalmente pela mãe, por quem Freud tinha muita admiração.

Freud forma-se em medicina, (neurologia) casa-se com Martha Bernays e tem seis filhos, em um espaço de oito anos. Na sua vida profissional, a princípio, ele foca a sua pesquisa na Fisiologia. Todavia, é quando se interessa pelos pacientes portadores de histeria, que vai ampliando mais a sua contribuição à vida mental. Freud realiza seu estudo mediante os casos dos seus clientes e também da sua própria vida, empreendendo por longo tempo uma autoanálise, (depois descobre ser impossível a autoanálise) trazendo à cena muitas autoavaliações e autorrevelações. Suas teorias, valiosas descobertas, são admiradas por uns e questionadas por outros, contribuindo assim a movimentos para maiores reflexões no cenário científico acerca da vida psíquica. Quando parte da sociedade lhe tecia críticas seguia em frente com coragem e persistência. Trazia no seu repertório uma fala onde dizia que ”Seu destino era perturbar o sono alheio”.

As amizades e inimizades são fatores que influenciaram, significativamente, a vida do pai da psicanálise. Ele junta-se a vários cientistas da época tais como: Brüche,( grande mentor) Chacort, ( criador da hipnose) Breuer (criador do método catártico) e Fliess( amigo íntimo a quem Freud chamou de “Meu único outro) “. Alguns destes amigos tornaram-se também seus inimigos. E em relação à essa dinâmica relacional Freud falava: “Um amigo íntimo e um inimigo odiado sempre foram requisitos da minha vida emocional; por vezes ambos se reuniam na mesma pessoa”.
Junto com Breuer publicam em 1895, “Estudos sobre Histeria”, (via introdutória à Teoria do Psiquismo de Freud) aprofundando o olhar à patologia dos sintomas neuróticos, alargando o estudo das fobias, obsessões, neuroses de angústia... Mais adiante, Freud afirma existir a histeria masculina, (antes só direcionada à mulher) tese essa, muito criticada na época. Trabalha com a hipnose, mas, aos poucos a abandona, voltando-se ao desenvolvimento do método catártico, cura pela fala, (Breuer) criando a Associação Livre, método até hoje usado pela psicanálise.

A curiosidade de Freud pelos sonhos o faz desenvolver pesquisa minuciosa e científica e em 1900 publica “A Interpretação dos Sonhos”, (grande marco da sua vida) onde explora a vida onírica, detalhando sobre a relevância dos conteúdos/significados dos sonhos e aborda como esses são desejos ocultos reprimidos, através dos quais voltamos aos estágios infantis. Assim sendo, comprova a existência e o poder do inconsciente. Nesse período Freud cria uma nova Teoria, a Primeira Tópica, sobre o aparelho psíquico, dividindo-o em três instâncias, Consciente (Cs), Pré- Consciente, (Pcs) Inconsciente, (Isc) distinguindo as características de cada uma. Reforça na sua descoberta a magnitude do inconsciente, afirmando que o “inconsciente é o próprio psiquismo e a sua realidade é essencial”. Ainda voltado ao estudo do inconsciente, Freud (respaldado também nas suas lembranças infantis) nos fala da existência do “Complexo de Édipo”, que aborda as fantasias do desejo infantil, voltadas às figuras parentais.

Em “Psicopatologia da Vida Cotidiana”, (1901) explora o conhecimento dos significados inconscientes dos lapsos, deslizes, chistes. Sempre como grande estudioso da sexualidade na sua obra “Três Ensaios sobre a Sexualidade Humana”, apresenta a cuidadosa Teoria da Libido que fala acerca das fases da sexualidade, (incluindo a sexualidade infantil) o valor da pulsão sexual e da persistência dos seus desejos, com ainda defende maior liberação à sexualidade humana.
Em relação à dinâmica processual da psicanálise, Freud, inicialmente, entende a transferência do analisado ao analista como um obstáculo. Todavia, adiante se refere ao fenômeno transferencial como essencial à análise, aprofunda acerca dos seus diferentes tipos e defende que “sem transferência não há análise”.
                                                                                            
Considerações Finais:
No estudo da Psicanálise, e do seu criador, vemos como esse grande homem influenciou o mundo como um todo, e, como sua contribuição continua relevante à psicanálise contemporânea que utiliza seus conhecimentos, através de uma metodologia científica, no desenvolvimento de um tratamento psicoterapêutico.
Observando a psicanálise no período da Primeira Tópica comprovamos sua importância à construção de pontes mais resistentes para elaboração do conhecimento do ser, em relação aos seus conteúdos inconscientes que sustentam suas neuroses, trabalhando a compreensão dessas através da associação livre, propiciando a descoberta desses significados, na busca das possíveis ressignificações.
A partir desse processo, segue olhando como esses conteúdos foram moldados na história de cada um, focando  o eu infantil,(fantasias,medos, desejos reprimidos...)  para melhor entender o eu adulto.
A psicanálise vivenciada na Primeira Tópica constrói elementos fundamentais à compreensão desses múltiplos eus, favorecendo aos que a ela se entregam possibilidades de vida mais saudável e feliz.
                                               
Referências bibliográficas
Gay,Petter,1923-Freud: uma vida para nosso tempo/Petter Gay: tradução de Denise Bottmann; consultoria editorial de  Luiz Meyer-2 ed.-São Paulo: Companhia da Letras,2012.

Kanh, Michael, 1924-Freud básico: pensamentos psicanalíticos para o século XXI/ Michael kanh;tradução de Luiz Paulo Guanabara.- 2.ed- Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2005.