sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

CASAL FUNCIONAL


                                                

                                                           O casal funcional


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Ricota, terapeuta de casal, em seu livro : O vínculo amoroso, 2002, pontua algumas posturas básicas aos cônjuges para o  desenvolvimento de uma conjugalidade funcional:


Ter a clareza que o seu par não está na relação a serviço das suas realizações e carências, nem  você das dele;
Duvidar das certezas absolutas;

Prestar atenção ao conteúdo e à forma da comunicação conjugal, tendo a compreensão que comunicar não significa concordar;

Saber da necessidade e da importância  ao casal de  períodos de reflexões, recuos, avanços, reorganizações, falas, silêncios, ações... Ou seja,fases de conhecimento e adequações;

Entender que uma relação conjugal amadurecida passa por um período de desidealização, que é diferente de desencanto, desadmiração;

Compreender que uma relação conjugal verdadeira  e funcional não deve ser confundida com ausência de conflitos;   

Querer ver e compreender as dificuldades que são individuais e não tentar terceirizá-las para o parceiro como ainda não aceitar que o outro tenha esse comportamento;  Querer aprender a cuidar do vínculo afetivo e compartilhar esse comportamento.

 ( Recortes do colóquio: Casal e família, construção conjunta do relacionamento humano, Lígia Oliveira, Associação Brasileira de Estudos Psicanalíticos do Estado de Pernambuco)

Lígia Oliveira- terapeuta de casal, família e psicanalista.


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O Valor dos Rituais Afetivos





Para muitos casais e famílias a criação e o compartilhamento de rituais afetivos alimentam positivamente a relação, criando maior intimidade amorosa dos significados dos momentos vivenciados
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Quais os  casais e famílias que não tem " suas" músicas, suas fotos conjuntas, repletas de boas lembranças e  suas "senhas" secretas para determinados momentos especiais?

Um ritual é um comportamento que repetimos como parte da nossa vida. A vivência contínua desse comportamento confere ao mesmo e as pessoas que dele participam, um valor simbólico e singular.

Todos os dias minha mãe levava na cama,  pela manhã, para todas as suas cinco filhas, um copo de vitamina de banana. Esse ritual nos avisava,  amorosamente,que estava na hora de levantar e ir para o colégio. A lembrança desse ritual afetivo materno me adoça o coração e me desperta sentimentos de gratidão.

Os rituais afetivos tem significativo valor quando olhamos para os nossos relacionamentos, e, se desaparecem, sentimos sua ausência.  Na maioria das vezes o gosto da lembrança do ritual é bom, mas também, em algumas ocasiões, indefinível.

Quanto mais as famílias e os casais criarem e compartilharem seus rituais afetivos, tanto mais próximo se tornará o relacionamento, vez que estarão investindo no desenvolvimento do vínculo amoroso que traduz suas histórias conjuntas.

Reflexão :
Voce lembra de algum ritual afetivo familiar?

O que esse ritual afetivo hoje diz para você?

Na sua família atual, quais os rituais que lhe despertam bons sentimentos?

E na sua vivência conjugal?

                                                    Lígia Oliveira - Terapeuta de casal e família
                                     

Terapia: Ensaio Geral Para Vida




No seu livro,Os desafios da terapia, Reflexões para pacientes e terapeutas, Irvin Yalon explica o processo da terapia como um relacionamento íntimo entre o terapeuta e o paciente, onde esse relacionamento não é visto como um fim, mas como um meio.

O estreitamento desse relacionamento favorece a vivência da exploração pelo paciente de sentimentos "guardados"ou nem sempre "verdadeiramente" falados para si e para o outro.

A entrega do paciente na exposição das suas experiências mais internas requer, a princípio, pelo terapeuta postura de real acolhimento e compreensão para que o paciente possa ficar mais à vontade e destemido em "navegar" por mares muitas vezes não conhecidos, repleto de ondas difíceis de serem olhadas e ultrapassadas.

À medida que esse relacionamento avança mais intimamente, a confiança vai sendo trabalhada, passo a passo, e propicia abertura mais espontânea do paciente na busca de uma linguagem sua que traduza  uma visão com menos distorções, negações, transferências de responsabilidades. Esses passos vão dando condições  ao entendimento mais ampliado do olhar para as várias "verdades" e múltiplos olhares que existem na vida.

O paciente nessa caminhada vai aprendendo a querer abrir portas para "cômodos"os quais nunca tinha entrado e descobrir na sua "casa" novos lugares, trabalhando com motivação e coragem diante dessas descobertas.

É importante que nessa etapa da terapia, o paciente  invista também na sua condição autoral de selecionar  os aprendizados que poderão ser incorporados, paulatinamente, à prática da sua nova e mais saudável forma de vida.

     Lígia Oliveira - Terapeuta de família,casal e psicanalista.